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Farmacocinética: absorção, distribuição, metabolismo e excreção

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Fenitoína é o fio condutor: o mesmo bloqueio de canal de sódio que a torna eficaz nas crises focais nada diz sobre o que a torna perigosa, que é uma cinética que deixa de ser previsível pela meia-vida a partir de certa dose.

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Fenitoína é o fio condutor: o mesmo bloqueio de canal de sódio que a torna eficaz nas crises focais nada diz sobre o que a torna perigosa, que é uma cinética que deixa de ser previsível pela meia-vida a partir de certa dose. Esta unidade percorre esse fio — mecanismo, cinética dependente de dose, o duplo papel da fenitoína no CYP450 (substrato de CYP2C9 para a própria depuração, e indutora nomeada de CYP3A4 sobre outros fármacos), e a substituição segura entre antiepilépticos. Não é um panorama das quatro fases da farmacocinética em geral: é o que decide, para este fármaco, quando dosar nível sérico e por que trocar de antiepiléptico exige sobreposição de doses.

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Essential

Canais de sódio dependentes de voltagem

O PCDT não nomeia a estrutura anatômica — atribui a eficácia ao bloqueio do canal justamente nas crises de início FOCAL, o que aponta para o foco cortical onde a crise começa, sem escrever 'córtex' por extenso. É a fronteira exata do que o texto-fonte sustenta; o resto não é preenchido por conta própria.

In the clinic

Sim, por via intravenosa, e só no cenário de urgência: no estado de mal epiléptico convulsivo (segunda linha de tratamento, depois do benzodiazepínico), o PCDT indica 'fenitoína, na dose de 18 mg/kg (15-20), numa velocidade de infusão máxima de 50 mg/min, que deve ser administrada através de uma veia calibrosa ou central, com monitorização do ECG e da pressão arterial (PA)'. A velocidade máxima existe porque a infusão rápida tem risco CARDIOVASCULAR — não porque falte volume de distribuição para o ataque. Fora da urgência, a via oral (pico em 6 horas) não serve para 'atacar' nada; a dose de ataque descrita aqui é só a IV.

Quem já estiver perto ou acima de ~300 mg/dia — pela própria cinética não-linear descrita acima — e, como grupo, os idosos: 'pacientes idosos podem estar mais sujeitos a efeitos adversos em comparação com pacientes das outras faixas etárias e têm uma janela terapêutica mais estreita e um maior grau de variação interindividual dos efeitos dos fármacos antiepilépticos', e a fenitoína está entre os 'indutores enzimáticos clássicos' que o mesmo parágrafo do PCDT lista para essa faixa etária. É também por isso que o protocolo nomeia a fenitoína, por nome, entre os motivos para dosar nível sérico: 'apresentar farmacocinética dependente de dose ou janela terapêutica restrita (p.ex., fenitoína)'.

Duas isoenzimas, em dois papéis que não podem ser confundidos. Como SUBSTRATO da própria depuração: CYP2C9 tem papel predominante na biotransformação da fenitoína, respondendo por cerca de 90% da para-hidroxilação que a elimina; CYP2C19 tem papel secundário (mais relevante para o metabólito p-HPPH do que para a fenitoína em si). Como alvo do efeito INDUTOR sobre OUTROS fármacos: o PCDT nomeia a fenitoína entre os 'indutores enzimáticos clássicos' sem apontar isoenzima; quem nomeia CYP3A4 é o estudo de farmacovigilância citado abaixo, cuja Tabela 1 tem por título literal 'CYP3A4-inducing medications captured on U.S. Food and Drug Administration Adverse Event Reporting System case reports for contraceptive products containing levonorgestrel or etonogestrel/desogestrel'.

Nos dois papéis a seta é a MESMA — 'menos enzima disponível, mais fármaco circulando' — só que aplicada a fármacos diferentes. Como SUBSTRATO: 'a decrease in CYP2C9 and CYP2C19 catalytic activity might increase PHT concentration and provoke other types of ADRs more related with the central nervous system' — ou seja, quando CYP2C9 está reduzida (variante genética, ou um fármaco concomitante que a iniba), é a FENITOÍNA que acumula. Como INDUTOR: fenitoína aumenta a quantidade de CYP3A4 disponível para OUTROS fármacos, e o efeito é o oposto — clearance mais rápido deles, não acúmulo. O PCDT documenta os dois lados clínicos desse segundo efeito: 'fármacos indutores do metabolismo hepático aumentam o metabolismo dos contraceptivos orais, podendo reduzir os níveis séricos destes em até 50% e levando a potenciais falhas na contracepção, com consequentes gestações indesejadas' — e, na direção inversa da MESMA indução, o próprio esquema da fenitoína pode exigir ajuste ALHEIO: 'em até 55% das pessoas que tomam agentes anti-retrovirais (ARV) e pacientes sob tratamento com fenitoína podem exigir um aumento de dose de lopinavir/ritonavir de aproximadamente 50%, para manter as concentrações séricas destes ARV'.

Os dois papéis também têm cursos temporais diferentes, e misturá-los é o erro mais fácil de cometer aqui. O lado SUBSTRATO (variante genética de CYP2C9) é CONSTITUTIVO: não tem início nem fim, está presente desde a primeira dose, porque é genótipo — não é uma enzima sendo induzida ou inibida ao longo do tempo. O lado INDUTOR (sobre CYP3A4 de terceiros) segue a regra geral de indução — precisa de síntese de nova enzima, então não é imediato —, mas NENHUMA das obras usadas aqui dá o número de dias ou semanas para a fenitoína especificamente, e esse número não vai ser inventado por analogia com outro indutor: o que o estudo de farmacovigilância mede é o DESFECHO — 'there was a significant association with CYP3A4 inducers and unintended pregnancy (ROR = 4.2 [3.0-5.7])' para contraceptivo oral de levonorgestrel — não o prazo de instalação da indução.

Substituição GRADUAL, com sobreposição de doses (cross-taper) — nunca uma janela sem fármaco algum. O próprio protocolo é direto sobre a estratégia, ainda que não dê um número fixo de dias: 'em caso de falha do primeiro fármaco, deve-se tentar sempre fazer a substituição gradual por outro, de primeira escolha, mantendo-se a monoterapia.' A ausência de um número fixo de dias não é lacuna deste bloco — é o que o texto-fonte diz: a velocidade da retirada depende do fármaco que está SAINDO, que é o que o campo abaixo deriva.

O perigo do intervalo aqui não é acúmulo de dois antiepilépticos somados — é a CRISE DE ABSTINÊNCIA/recidiva se o fármaco que sai perder efeito antes de o que entra assumir o controle. O caso mais concreto do próprio protocolo é o fenobarbital, que também está na fila desta matéria: 'uma meia-vida de eliminação longa (2 a 7 dias), apesar de ser fracamente ligado às proteínas (20% a 50%)', e recomendação explícita de que 'a retirada deve ser feita em dosagens muito pequenas e por longo período de tempo devido ao risco de crises de abstinência.' A régua geral que se deriva daí: quanto mais longa a meia-vida do fármaco que SAI, mais lenta a retirada tem de ser — e o erro que este bloco existe para prevenir é o inverso: retirar rápido um fármaco de eliminação lenta só porque o novo já foi iniciado.

Test yourself before moving on

Paciente em fenitoína, com crises ainda não controladas, tem a dose elevada até chegar a 300 mg/dia. Poucos dias depois surgem nistagmo e ataxia — um efeito desproporcional ao pequeno incremento que levou a dose até ali. O que está acontecendo?

The answer stays in Assessment, with no spoiler here.

Answer in Assessment
Sources (3)
  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Epilepsia. Portaria Conjunta SAS/SCTIE nº 17, de 21 de junho de 2018.
    Seu principal mecanismo de ação é o bloqueio dos canais de sódio dependentes de voltagem, o que lhe confere grande eficácia contra crises epilépticas de início focal.
  2. Guevara N, Maldonado C, Uría M, González R, Ibarra M, Alvariza S, Carozzi A, Azambuja C, Fagiolino P, Vázquez M. Role of CYP2C9, CYP2C19 and EPHX Polymorphism in the Pharmacokinetic of Phenytoin: A Study on Uruguayan Caucasian Subjects. Pharmaceuticals (Basel). 2017;10(3):73.
    the enzymes involved in this metabolic step are CYP2C9 and CYP2C19, the former accounting for the 90% of para -hydroxylation
  3. Sunaga T, Cicali B, Schmidt S, Brown J. Comparison of contraceptive failures associated with CYP3A4-inducing drug-drug interactions by route of hormonal contraceptive in an adverse event reporting system. Contraception. 2021;103(4):222-224.
    there was a significant association with CYP3A4 inducers and unintended pregnancy (ROR = 4.2 [3.0

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