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Termorregulação e fisiologia do exercício

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O hipotálamo é o termostato que mantém a temperatura central por retroalimentação negativa, com ganho e perda de calor por condução, convecção, radiação e evaporação.

Scope and method of this summary

O hipotálamo é o termostato que mantém a temperatura central por retroalimentação negativa, com ganho e perda de calor por condução, convecção, radiação e evaporação. A unidade mostra a febre (pirogênios, OVLT e PGE2 sobre neurônios sensíveis ao calor) e a hipertermia como definições em uso, e liga o exercício a essa cadeia: o músculo produz calor muito acima da taxa basal, o suor é a principal via de perda e o débito cardíaco aumenta, com fluxo dividido entre músculo e pele. Esses elementos ajudam a entender parte da fisiopatologia da insolação por esforço, cujo reconhecimento e a primeira medida, o resfriamento imediato, também são tratados.

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Essential

  1. O hipotálamo funciona como termostato da temperatura central, que se mantém estável por retroalimentação negativa; quando a temperatura sai do valor defendido, ele pode iniciar respostas que a corrigem.
  2. Se a temperatura está alta demais: aumenta a circulação de sangue para a superfície do corpo, o que permite a dissipação de calor pela pele.
  3. Se a temperatura está alta demais: inicia a sudorese, para que a água evapore sobre a pele e esfrie a sua superfície.
  4. Se a temperatura cai abaixo do valor definido: inicia tremores, que geram calor; o corpo usa mais energia e gera mais calor.
  5. Além dos tremores, o hormônio tireoidiano estimula maior gasto de energia e maior produção de calor pelas células de todo o corpo.
  6. O calor dissipado ou ganho segue o fluxo da região mais quente para a mais fria por quatro mecanismos: condução (contato direto entre dois objetos), convecção (calor para o ar ou a água que cerca a pele), radiação (ondas infravermelhas) e evaporação.
  7. Na água mais fria que o corpo, a convecção leva calor embora mais depressa do que o corpo consegue repor, o que resulta em hipotermia.
  1. Pirogênios exógenos (por exemplo, microrganismos) ou endógenos (como interleucina-1, interleucina-6 e fator de necrose tumoral alfa) interagem com o órgão vascular da lâmina terminal (OVLT).
  2. O OVLT é um órgão circunventricular muito vascularizado e sem barreira hematoencefálica, o que permite que substâncias pirogênicas o estimulem diretamente.
  3. A estimulação do OVLT leva ao aumento da síntese de prostanoides, entre eles a prostaglandina E2 (PGE2).
  4. A PGE2 age no núcleo pré-óptico do hipotálamo, reduzindo a frequência de disparo dos neurônios sensíveis ao calor, e o resultado é o aumento da temperatura corporal (febre).

Glândulas sudoríparas écrinas (ativadas por receptores centrais de temperatura ou pela temperatura da pele)

Pele

O hipotálamo funciona como termostato da temperatura central, e a definição de febre depende do propósito para o qual é feita; febre, piréxia e hipertermia não têm definição universal.

Numa definição em uso, «febre» é a elevação da temperatura causada pela ação de pirogênios termorreguladores sobre o hipotálamo (OVLT, PGE2 e redução do disparo dos neurônios sensíveis ao calor). Em outra, «hipertermia» designa as condições em que a temperatura sobe acima da definida pelo hipotálamo, excluídas as causadas por pirogênios; decorrem de exposição ao calor ou de produção de calor não regulada, em excesso sobre a perda. Por critério apenas numérico, a diretriz de febre em adultos críticos considera razoável, em muitas UTIs, tratar como febril quem tem temperatura de 38,3 °C ou mais; segundo Walter, o ACCM e a IDSA definem febre assim, qualquer que seja a causa.

Na contração muscular a produção metabólica de calor aumenta em função da intensidade; no exercício vigoroso o músculo esquelético produz calor em taxas 15 a 18 vezes maiores que a taxa metabólica basal.

A maior parte desse calor passa do músculo para o sangue e é levada ao núcleo do corpo. Para evitar o acúmulo é preciso que as vias de dissipação estejam ativas, e a mais eficaz, em exercício feito em terra e no calor, é a evaporação do suor.

Durante o exercício a taxa de retorno do sangue ao coração aumenta.

Num exemplo de conta para jovens saudáveis, com frequência cardíaca de 150 bpm e volume sistólico de 70 a cerca de 130 mL, o que levaria o débito cardíaco a cerca de 19,5 L/min, 4 a 5 vezes o de repouso; atletas de elite, no pico, podem aumentar o débito de repouso em 7 a 8 vezes. A diferença entre o débito máximo e o de repouso é a reserva cardíaca, que mede a capacidade residual do coração de bombear sangue.

In the clinic

Causas comuns de hipertermia nessa definição: insolação clássica e por esforço e doenças ligadas a fármacos (por exemplo, hipertermia maligna e síndrome neuroléptica). Antipiréticos não têm efeito significativo esperado na hipertermia não pirogênica; na insolação, o resfriamento imediato permanece o pilar do tratamento, pois o atraso na redução da temperatura se associa a maior mortalidade (a conduta nas causas por fármacos fica fora do escopo). A separação entre pirogênica e não pirogênica pode ser menos nítida do que se supunha.

Os dois critérios diagnósticos principais da insolação por esforço são disfunção do sistema nervoso central e temperatura central acima de 40,5 °C (medida por via retal, o padrão de referência; outros locais não são válidos nem confiáveis após exercício intenso no calor). Se há disfunção do SNC com temperatura retal um pouco menor, é prudente assumir insolação por esforço e iniciar o tratamento, e o resfriamento imediato de corpo inteiro é essencial. Uma limitação da termorregulação pode participar da fisiopatologia em certa medida, mas não a explica por inteiro: a fisiopatologia envolve também endotoxemia, inflamação e coagulopatia.

Para sustentar o exercício, o débito cardíaco precisa atender à demanda de fluxo: o músculo ativo precisa de sangue para o oxigênio e a pele, para a termorregulação. No exercício no calor, a vasodilatação e o maior fluxo cutâneo aumentam o sangue represado nos vasos periféricos e reduzem o volume sanguíneo central, e os fluxos esplâncnico e renal caem no exercício vigoroso e no estresse térmico grave.

Test yourself before moving on

A temperatura central de uma pessoa varia pouco, mesmo quando o ambiente muda muito. Que tipo de controle explica essa estabilidade e como ele responde a um desvio para cima e a um desvio para baixo?

The answer stays in Assessment, with no spoiler here.

Answer in Assessment
Sources (6)
  1. Betts JG, Young KA, Wise JA, Johnson E, Poe B, Kruse DH, Korol O, Johnson JE, Womble M, DeSaix P. Anatomy and Physiology 2e. Houston: OpenStax; 2022. Section 24.6, Energy and Heat Balance.
    In the process of ATP production by cells throughout the body, approximately 60 percent of the energy produced is in the form of heat used to maintain body temperature. Thermoregulation is an example of negative feedback.
  2. Walter EJ, Hanna-Jumma S, Carraretto M, Forni L. The pathophysiological basis and consequences of fever. Crit Care. 2016;20(1):200.
    The interaction of exogenous pyrogens (e.g. micro-organisms) or endogenous pyrogens (e.g. interleukin (IL)-1, IL-6, tumour necrosis factor (TNF)-α) with the organum vasculosum of the lamina terminalis (OVLT) leads to the production of fever.
  3. Garcia CK, Renteria LI, Leite-Santos G, Leon LR, Laitano O. Exertional heat stroke: pathophysiology and risk factors. BMJ Med. 2022;1(1):e000239.
    Sweat production is initiated either by the activation of the central temperature receptors or by elevation of skin temperature
  4. O'Grady NP, Barie PS, Bartlett JG, et al. Guidelines for evaluation of new fever in critically ill adult patients: 2008 update from the American College of Critical Care Medicine and the Infectious Diseases Society of America. Crit Care Med. 2008;36(4):1330-1349.
    A variety of definitions of fever are acceptable, depending on how sensitive an indicator of thermal abnormality an ICU practitioner wants to utilize.
  5. Casa DJ, DeMartini JK, Bergeron MF, et al. National Athletic Trainers' Association Position Statement: Exertional Heat Illnesses. J Athl Train. 2015;50(9):986-1000.
    The 2 main diagnostic criteria for EHS are CNS dysfunction and a core body temperature greater than 40.5°C (105°F).
  6. Betts JG, Young KA, Wise JA, Johnson E, Poe B, Kruse DH, Korol O, Johnson JE, Womble M, DeSaix P. Anatomy and Physiology 2e. Houston: OpenStax; 2022. Section 19.4, Cardiac Physiology.
    Initially, physiological conditions that cause HR to increase also trigger an increase in SV. During exercise, the rate of blood returning to the heart increases.

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  • Hidratação e distúrbios hidroeletrolíticos no exercício: o corredor que piora exatamente quando se oferece mais líquido

    Nutrologia

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