Atlas anatômico
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Parte distal do íleo
Distal part of ileum · FMA14966
Também chamada de: Íleo distal · Íleo terminal
Em 30 segundos
Alta relevânciaSegmento final do intestino delgado, que se estende por aproximadamente 1 metro antes da junção ileocecal. Caracteriza-se pela presença de placas de Peyer (tecido linfoide) mais abundantes que no jejuno, vilosidades mais curtas e paredes mais finas. É o local de absorção de vitamina B12 e sais biliares, e sua ressecção ou doença (Crohn) causa síndromes de má absorção específicas.
Função
Absorção final de nutrientes, especialmente vitamina B12 (fator intrínseco-dependente no íleo terminal), sais biliares, água e eletrólitos. Função imunológica através das placas de Peyer (vigilância imunológica intestinal).
Onde fica e relações
Localizado na região inferior direita do abdome e pelve, ocupando principalmente a fossa ilíaca direita e pelve verdadeira. Termina na junção ileocecal (válvula ileocecal), onde se une ao ceco. Relaciona-se anteriormente com a parede abdominal anterior e alças intestinais, posteriormente com músculos ilíacos e vasos ilíacos, e lateralmente com o ceco e cólon ascendente.
Irrigação, drenagem e inervação
- Irrigação
- Ramos ileais da artéria mesentérica superior, que formam arcadas arteriais no mesentério. As arcadas são mais complexas (3-5 níveis) que no jejuno, com artérias retas (vasa recta) mais curtas.
- Drenagem
- Veias ileais drenam para a veia mesentérica superior, que se une à veia esplênica para formar a veia porta hepática. Drenagem linfática para linfonodos mesentéricos superiores.
- Inervação
- Inervação autonômica pelo plexo mesentérico superior. Simpático (T9-T10) via nervos esplâncnicos menores causa vasoconstrição e reduz motilidade; parassimpático (vago) estimula peristaltismo e secreção. Dor visceral referida à região periumbilical e hipogástrio.
No exame físico
- Palpação
- Não palpável em condições normais. Pode ser palpável em casos de distensão, massa ou espessamento patológico (doença de Crohn, intussuscepção).
- Referência no exame
- Localiza-se predominantemente na fossa ilíaca direita e região hipogástrica, terminando na válvula ileocecal. Ausculta de ruídos hidroaéreos é mais audível no quadrante inferior direito do abdome.
Na clínica
- Doença de Crohn: acomete preferencialmente o íleo terminal (ileíte terminal), causando dor em fossa ilíaca direita, diarreia e má absorção de B12 e sais biliares
- Má absorção de vitamina B12: ressecção ou doença do íleo terminal leva a anemia megaloblástica (B12-dependente) e neuropatia periférica
- Enterite por radiação: o íleo distal na pelve é vulnerável em radioterapia pélvica, causando diarreia crônica e má absorção
- Divertículo de Meckel: remanescente do ducto vitelino, localizado tipicamente a 60-100 cm da válvula ileocecal (íleo distal), pode conter mucosa gástrica ectópica e sangrar
- Tuberculose intestinal: predileção pela região ileocecal, simulando apendicite ou doença de Crohn
- Intussuscepção ileocecal: o íleo distal invagina no ceco, causando obstrução intestinal (mais comum em crianças)
- Linfoma intestinal: placas de Peyer do íleo são sítio de linfomas primários do intestino delgado
Cai na prova
- Diferenças anatômicas entre jejuno e íleo: íleo tem vilosidades mais curtas, placas de Peyer mais numerosas, arcadas arteriais mais complexas, parede mais fina e calibre menor
- Absorção de B12 e sais biliares ocorre exclusivamente no íleo terminal (receptores específicos); ressecção causa deficiência de B12 e diarreia por sais biliares
- Localização do íleo distal na pelve: vulnerável em cirurgias pélvicas, radioterapia e processos inflamatórios pélvicos
- Ileíte terminal na doença de Crohn: padrão clássico de acometimento, com aspecto de 'pedras de calçamento' e fístulas
- Divertículo de Meckel: regra dos 2 (2% da população, 2 pés da válvula ileocecal, 2 polegadas de comprimento, 2 tipos de mucosa ectópica, sintomas antes dos 2 anos)
- Dor referida do íleo: região periumbilical (inervação T9-T10 via plexo mesentérico superior)
- Válvula ileocecal: impede refluxo de conteúdo colônico para o íleo; incompetência causa contaminação bacteriana do intestino delgado
Teste seu entendimento
Quais são as principais diferenças anatômicas entre o íleo distal e o jejuno proximal?
Qual é a importância clínica da absorção de vitamina B12 e sais biliares no íleo terminal?
Descreva a irrigação arterial do íleo distal e suas características distintivas.
Quais são as principais correlações clínicas da localização do íleo distal na pelve?
Por que a doença de Crohn tem predileção pelo íleo terminal?
Não confunda
FMA16983
Jejuno distal tem vilosidades mais altas, menos placas de Peyer, arcadas arteriais mais simples (1-2 níveis), parede mais espessa e localiza-se mais superiormente no abdome (região umbilical esquerda).
FMA14542
Apêndice é uma estrutura tubular cega que se origina do ceco (não do íleo), tem localização variável mas geralmente retrocecal, e não participa da absorção de nutrientes; sua inflamação causa dor em fossa ilíaca direita (apendicite).
Cólon ascendente
Cólon ascendente é retroperitoneal (íleo é intraperitoneal com mesentério), tem tênias cólicas, apêndices epiploicos e haustrações, calibre maior, e não possui vilosidades nem placas de Peyer.
BodyParts3D, CC BY 4.0