Atlas anatômico

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Mesentério do intestino delgado

Mesentery of small intestine · FMA14643

Também chamada de: Mesentério · Mesenterium

Em 30 segundos

Alta relevância

Prega peritoneal em forma de leque que conecta o jejuno e o íleo à parede abdominal posterior, estendendo-se da flexura duodenojejunal (à esquerda de L2) até a junção ileocecal (fossa ilíaca direita). Contém os vasos mesentéricos superiores, nervos autonômicos, linfonodos e tecido adiposo, sendo essencial para a vascularização e mobilidade do intestino delgado. Sua raiz mede apenas 15 cm, mas sua borda intestinal atinge 6 metros.

Função

Suspende e fixa o jejuno e o íleo à parede abdominal posterior, permitindo mobilidade limitada; conduz vasos mesentéricos superiores, nervos autonômicos e linfáticos para o intestino delgado; armazena gordura e linfonodos mesentéricos (importante na resposta imune intestinal).

Onde fica e relações

Raiz oblíqua na parede abdominal posterior, estendendo-se da flexura duodenojejunal (à esquerda de L2) até a articulação sacroilíaca direita (fossa ilíaca direita), cruzando anteriormente a terceira parte do duodeno, aorta abdominal, veia cava inferior, ureter direito e vasos gonadais direitos. A borda intestinal livre acompanha todo o jejuno e íleo até a junção ileocecal.

  • Irrigaartéria mesentérica superior e seus ramos (artérias jejunais e ileais)
  • Drenaveia mesentérica superior (tributária da veia porta hepática)
  • Inervaplexo mesentérico superior (simpático e parassimpático vagal)
Irrigação, drenagem e inervação
Irrigação
Artéria mesentérica superior, que emite 15-18 ramos jejunais e ileais que cursam entre as duas lâminas peritoneais do mesentério, formando arcadas arteriais (mais simples no jejuno proximal, mais complexas no íleo distal) antes de alcançar a parede intestinal como artérias retas (arteriae rectae).
Drenagem
Veia mesentérica superior, que acompanha a artéria homônima e drena para a veia porta hepática após unir-se à veia esplênica posteriormente ao colo do pâncreas. Linfonodos mesentéricos (centenas) drenam para linfonodos mesentéricos superiores junto à raiz do mesentério e, finalmente, para o tronco intestinal do ducto torácico.
Inervação
Plexo mesentérico superior: fibras simpáticas pós-ganglionares (gânglios celíaco e mesentérico superior, originadas de T9-T12) causam vasoconstrição e inibição da motilidade; fibras parassimpáticas do nervo vago (X par craniano) estimulam peristaltismo e secreção. Dor visceral referida à região periumbilical (dermátomos T9-T10).
No exame físico
Palpação
Não é diretamente palpável em condições normais. Em casos patológicos (massas mesentéricas, linfadenopatia volumosa), pode ser percebida como massa profunda na região periumbilical ou mesogástrio.
Referência no exame
Ocupa a região central do abdome, estendendo-se da raiz mesentérica (localizada aproximadamente ao nível de L2, à esquerda da linha mediana) até as alças do intestino delgado. Sua raiz cruza obliquamente da articulação duodenojejunal (quadrante superior esquerdo) até a fossa ilíaca direita.
Na clínica
  • Isquemia mesentérica aguda: oclusão da artéria mesentérica superior (embolia, trombose) causa dor abdominal desproporcional ao exame físico, podendo evoluir para infarto intestinal e peritonite — emergência cirúrgica com alta mortalidade.
  • Volvo de intestino delgado: torção do mesentério em torno de seu eixo vascular causa obstrução intestinal e isquemia; mais comum em pacientes com má-rotação intestinal ou aderências pós-operatórias.
  • Linfadenite mesentérica: inflamação dos linfonodos mesentéricos (viral ou bacteriana) mimetiza apendicite aguda em crianças, com dor abdominal difusa ou periumbilical.
  • Hérnia interna: defeitos no mesentério (congênitos ou pós-operatórios) permitem herniação de alças intestinais, causando obstrução intestinal intermitente ou estrangulamento.
  • Doença de Crohn: inflamação transmural pode acometer o mesentério, causando espessamento gorduroso ('creeping fat'), fístulas e abscessos mesentéricos.
  • Trombose venosa mesentérica: estados de hipercoagulabilidade causam trombose da veia mesentérica superior, levando a congestão venosa, edema intestinal e isquemia — diagnóstico por TC com contraste.
  • Carcinoide de intestino delgado: tumor neuroendócrino que metastatiza para linfonodos mesentéricos, causando reação desmoplásica e retração mesentérica (pode causar isquemia por angulação vascular).
Cai na prova
  • Raiz do mesentério cruza anteriormente o ureter direito e os vasos gonadais direitos — importante em cirurgias para evitar lesão iatrogênica.
  • Diferença entre arcadas arteriais do jejuno (1-2 arcadas, arteriae rectae longas) e do íleo (3-5 arcadas, arteriae rectae curtas) — critério para distinguir segmentos em cirurgia.
  • Dor visceral de isquemia mesentérica é referida à região periumbilical (dermátomos T9-T10), enquanto dor parietal de peritonite é localizada.
  • Linfonodos mesentéricos são a primeira estação de drenagem linfática do intestino delgado — importante na disseminação de infecções (tuberculose, Yersinia) e neoplasias.
  • Volvo de intestino delgado em TC: sinal do redemoinho ('whirl sign') representa torção do mesentério e seus vasos.
  • Mesentério é intraperitoneal, mas sua raiz é retroperitoneal — conceito importante para entender disseminação de infecções e tumores.
  • Síndrome da artéria mesentérica superior: compressão da terceira parte do duodeno entre a artéria mesentérica superior (anteriormente) e a aorta (posteriormente) — causa obstrução duodenal em pacientes emagrecidos.
Teste seu entendimento
  • Descreva o trajeto da raiz do mesentério do intestino delgado.

  • Qual a diferença entre as arcadas arteriais do jejuno e do íleo?

  • Explique a drenagem venosa e linfática do mesentério do intestino delgado.

  • Quais são as principais causas e manifestações clínicas de isquemia mesentérica aguda?

  • Qual a inervação autonômica do mesentério e como se manifesta a dor mesentérica?

Não confunda

  • FMA14647

    O mesocólon transverso conecta o cólon transverso à parede posterior (raiz horizontal ao longo do pâncreas), enquanto o mesentério do delgado tem raiz oblíqua de L2 à fossa ilíaca direita e suspende jejuno/íleo.

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  • FMA16549

    O mesoapêndice é uma pequena prega triangular que conecta o apêndice ao mesentério do íleo terminal (contém a artéria apendicular), enquanto o mesentério do delgado é extenso e suspende todo o jejuno e íleo.

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Ontologia

BodyParts3D, CC BY 4.0