Atlas anatômico

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Parede do ventrículo

Wall of ventricle · FMA13884

Também chamada de: Parede ventricular · Miocárdio ventricular

Em 30 segundos

Alta relevância

A parede ventricular é composta por três camadas: endocárdio (interno), miocárdio (camada muscular espessa) e epicárdio (externo). O ventrículo esquerdo possui parede significativamente mais espessa (8-12 mm) que o direito (3-5 mm) devido à maior pressão sistêmica. A espessura e contratilidade da parede ventricular são fundamentais para a função de bomba cardíaca e frequentemente avaliadas em exames de imagem.

Função

Contração miocárdica para ejeção do sangue dos ventrículos para circulação pulmonar (ventrículo direito) e sistêmica (ventrículo esquerdo). A espessura da parede determina a capacidade de gerar pressão adequada para vencer a resistência vascular.

Onde fica e relações

Forma a maior parte da massa cardíaca, ocupando a porção inferior e anterior do mediastino médio. O ventrículo esquerdo forma o ápice cardíaco e a maior parte da face diafragmática. O ventrículo direito ocupa a maior parte da face esternocostal.

Irrigação, drenagem e inervação
Irrigação
Artérias coronárias: o ramo interventricular anterior (descendente anterior) irriga parede anterior do VE, dois terços anteriores do septo interventricular e ápice; o ramo circunflexo irriga parede lateral e posterior do VE; a artéria coronária direita irriga o VD, parede inferior do VE e terço posterior do septo (em dominância direita, 70% dos casos). A dominância é definida pela artéria que origina o ramo interventricular posterior.
Drenagem
Sistema venoso coronário: veia cardíaca magna (acompanha ramo interventricular anterior), veia cardíaca média (acompanha ramo interventricular posterior) e veia cardíaca pequena drenam para o seio coronário, que desemboca no átrio direito. Veias cardíacas anteriores drenam diretamente no átrio direito. Veias de Tebesio drenam diretamente nas câmaras cardíacas.
Inervação
Inervação autonômica: simpática (T1-T5) aumenta frequência, contratilidade e velocidade de condução; parassimpática (nervo vago) tem efeito indireto nos ventrículos, principalmente reduzindo frequência e condução AV. Fibras aferentes viscerais conduzem dor isquêmica (angina) referida para região precordial, ombro e braço esquerdo, mandíbula.
No exame físico
Palpação
O ápice cardíaco (formado pela parede do ventrículo esquerdo) é palpável como ictus cordis no 5º espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular, em indivíduos normais. Deslocamento lateral sugere cardiomegalia.
Referência no exame
Ictus cordis localizado e propulsivo indica função ventricular preservada; ictus difuso e deslocado lateralmente sugere dilatação ventricular. Frêmito sistólico pode indicar estenose aórtica ou CIV. Ausculta das bulhas cardíacas reflete fechamento valvar e função ventricular.
Na clínica
  • Infarto agudo do miocárdio: necrose da parede ventricular por oclusão coronariana; localização do infarto correlaciona-se com território arterial (anterior=descendente anterior, inferior=coronária direita, lateral=circunflexo)
  • Hipertrofia ventricular: espessamento da parede >12mm no VE (hipertensão, estenose aórtica) ou >5mm no VD (hipertensão pulmonar); detectada no ECG e ecocardiograma
  • Cardiomiopatia dilatada: afinamento e dilatação da parede ventricular com redução da fração de ejeção
  • Aneurisma ventricular: dilatação focal da parede, geralmente pós-infarto na parede anterior; risco de trombo mural e arritmias
  • Ruptura de parede livre: complicação catastrófica do IAM (3-5 dias pós-infarto), mais comum em parede anterior e lateral do VE
  • Comunicação interventricular (CIV) pós-IAM: ruptura do septo interventricular, causa sopro holossistólico rude e insuficiência cardíaca aguda
Cai na prova
  • Diferença de espessura entre VE (8-12mm) e VD (3-5mm) e sua relação com as pressões sistêmica e pulmonar
  • Territórios de irrigação coronariana: descendente anterior (parede anterior, septo anterior, ápice), circunflexo (parede lateral), coronária direita (parede inferior, VD)
  • Conceito de dominância coronariana (definida pela origem do ramo interventricular posterior): direita 70%, esquerda 10%, codominante 20%
  • Dor referida do infarto: dermátomos T1-T5, explicando irradiação para braço esquerdo, mandíbula e epigástrio
  • Complicações mecânicas do IAM: ruptura de parede livre (tamponamento), CIV (sopro + piora hemodinâmica), ruptura de músculo papilar (insuficiência mitral aguda)
  • Critérios ecocardiográficos de hipertrofia ventricular esquerda: espessura de parede >12mm ou índice de massa >115g/m² (homens) ou >95g/m² (mulheres)
  • Localização do ápice cardíaco (formado pelo VE) no 5º espaço intercostal esquerdo, linha hemiclavicular - ictus cordis palpável
Teste seu entendimento
  • Qual a diferença de espessura entre as paredes dos ventrículos direito e esquerdo e qual a explicação fisiológica?

  • Descreva os territórios de irrigação das três principais artérias coronárias na parede ventricular.

  • Explique o mecanismo da dor referida no infarto do miocárdio.

  • Quais são as três principais complicações mecânicas do infarto agudo do miocárdio envolvendo a parede ventricular?

  • Como se define dominância coronariana e qual sua importância clínica?

Não confunda

  • FMA9531

    A parede atrial é mais fina (2-3mm) e gera pressões baixas para enchimento ventricular, enquanto a parede ventricular é espessa (VE 8-12mm) e gera altas pressões para ejeção sistêmica/pulmonar.

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  • FMA9457

    A parede do átrio direito é câmara de baixa pressão com parede fina, enquanto a parede ventricular (especialmente VE) é espessa e muscular para gerar pressões de ejeção elevadas.

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Ontologia

BodyParts3D, CC BY 4.0