Atlas anatômico

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Estômago

Stomach · FMA7148

Também chamada de: Gáster · Ventrículo

Em 30 segundos

Alta relevância

Órgão muscular oco do trato digestório superior, localizado no andar superior do abdome, entre o esôfago e o duodeno. Responsável pela digestão química e mecânica dos alimentos, secreção de ácido clorídrico, fator intrínseco e enzimas digestivas. Cai muito em prova: anatomia topográfica, irrigação pelo tronco celíaco, drenagem venosa portal, inervação autonômica e dor referida.

Função

Armazenamento temporário do alimento, digestão química (pepsina, HCl), digestão mecânica (contrações peristálticas), secreção de fator intrínseco (absorção de B12), controle do esvaziamento gástrico para o duodeno.

Onde fica e relações

Andar superior do abdome, principalmente no hipocôndrio esquerdo e epigástrio. Estende-se da junção esofagogástrica (nível de T11) até o piloro (nível de L1). Relações: anteriormente com diafragma, lobo esquerdo do fígado e parede abdominal anterior; posteriormente com pâncreas, rim esquerdo, glândula suprarrenal esquerda, baço e diafragma (recesso subfrênico); superiormente com diafragma; inferiormente com mesocólon transverso e cólon transverso.

  • Irrigaartéria gástrica esquerda (curvatura menor)
  • Irrigaartéria gástrica direita (curvatura menor)
  • Irrigaartéria gastroepiplóica direita (curvatura maior)
  • Drenaveia gastroepiplóica direita (veia mesentérica superior)
  • Inervanervo vago (parassimpático - aumenta secreção e motilidade)
  • Inervaplexo celíaco (simpático - diminui secreção e motilidade, vasoconstricção)
Irrigação, drenagem e inervação
Irrigação
Irrigação arterial abundante pelo tronco celíaco. Curvatura menor: artérias gástricas esquerda (ramo direto do tronco celíaco) e direita (ramo da artéria hepática própria), formando anastomose. Curvatura maior: artérias gastroepiplóicas esquerda (ramo da artéria esplênica) e direita (ramo da artéria gastroduodenal), formando anastomose. Fundo: artérias gástricas curtas (ramos da artéria esplênica). Pegadinha de prova: a artéria gástrica esquerda é o primeiro ramo do tronco celíaco em 75% dos casos.
Drenagem
Drenagem venosa para o sistema porta. Veias gástricas esquerda e direita drenam diretamente para a veia porta hepática. Veia gastroepiplóica esquerda drena para veia esplênica. Veia gastroepiplóica direita drena para veia mesentérica superior. Veias gástricas curtas drenam para veia esplênica. Importante: na hipertensão portal, a veia gástrica esquerda forma varizes esofágicas (anastomose portocava) - questão clássica de prova.
Inervação
Inervação parassimpática: nervos vagos anterior (esquerdo) e posterior (direito), que aumentam secreção gástrica e motilidade. Inervação simpática: plexo celíaco (T6-T9), que diminui secreção e motilidade, causa vasoconstricção. Dor visceral referida: epigástrio (dermátomos T6-T9). Pegadinha: vagotomia reduz secreção ácida mas causa gastroparesia; simpático não inibe diretamente as células parietais, age via vasoconstricção.
No exame físico
Palpação
Normalmente não palpável. Quando distendido ou com massa tumoral, pode ser palpável no epigástrio e hipocôndrio esquerdo.
Referência no exame
Projeção: epigástrio e hipocôndrio esquerdo. Cárdia ao nível de T11 (7ª cartilagem costal esquerda). Piloro ao nível de L1 (plano transpilórico). Ausculta: ruídos hidroaéreos no epigástrio. Percussão: timpanismo (ar) ou macicez (líquido/massa). Sinal de Kehr (dor no ombro esquerdo) sugere irritação diafragmática por úlcera perfurada ou ruptura esplênica.
Na clínica
  • Úlcera péptica: mais comum na curvatura menor e parede anterior do duodeno; dor epigástrica que melhora com alimentação (úlcera duodenal) ou piora (úlcera gástrica); complicações incluem perfuração (pneumoperitônio) e hemorragia (hematêmese, melena)
  • Câncer gástrico: adenocarcinoma é o mais comum; linfonodo de Virchow (supraclavicular esquerdo) e sinal de Blumer (massa no fundo de saco de Douglas) indicam metástase; gastrectomia pode causar síndrome de dumping e anemia por deficiência de B12
  • Varizes esofagogástricas: na hipertensão portal, a veia gástrica esquerda forma anastomose portocava com veias esofágicas; ruptura causa hematêmese maciça; tratamento inclui ligadura endoscópica e betabloqueadores
  • Hérnia de hiato: deslizamento da junção esofagogástrica através do hiato esofágico; causa refluxo gastroesofágico; tipo I (deslizante, 95%) vs tipo II-IV (paraesofágicas, risco de volvo e estrangulamento)
  • Síndrome de Zollinger-Ellison: gastrinoma (geralmente pancreático) causa hipersecreção ácida e úlceras múltiplas/refratárias; suspeitar se úlcera em jejuno ou múltiplas úlceras
  • Gastroparesia: esvaziamento gástrico retardado; comum em diabetes; sintomas incluem náuseas, vômitos, saciedade precoce; diagnóstico por cintilografia de esvaziamento gástrico
  • Anemia perniciosa: gastrite autoimune destrói células parietais; deficiência de fator intrínseco impede absorção de B12; anemia megaloblástica e sintomas neurológicos
Cai na prova
  • Irrigação arterial: origem e trajeto das artérias gástricas e gastroepiplóicas; anastomoses na curvatura menor e maior; artérias gástricas curtas para o fundo
  • Drenagem venosa portal: veias gástricas esquerda e direita drenam para porta; veia gastroepiplóica esquerda para esplênica; anastomoses portocavas (varizes esofágicas) na hipertensão portal
  • Inervação autonômica: vago aumenta secreção e motilidade; simpático (T6-T9) diminui; dor referida no epigástrio; vagotomia para úlcera (hoje raro)
  • Relações anatômicas: baço à esquerda do fundo; pâncreas posterior ao corpo; fígado anterior à curvatura menor; cólon transverso inferior; recesso subfrênico
  • Divisões anatômicas: cárdia, fundo, corpo, antro, piloro; curvatura menor (incisura angular separa corpo de antro) e maior; pegadinha: fundo é a parte superior ao nível da cárdia
  • Drenagem linfática: linfonodos gástricos esquerdos e direitos (curvatura menor), gastroepiplóicos (curvatura maior), celíacos; metástase para Virchow (supraclavicular esquerdo) e ovário (tumor de Krukenberg)
  • Úlcera péptica: localização típica (curvatura menor, parede anterior do duodeno); complicações (perfuração, hemorragia, penetração, obstrução); artéria gastroduodenal na hemorragia de úlcera duodenal posterior
  • Câncer gástrico: sinais de disseminação (Virchow, Blumer, Sister Mary Joseph, Krukenberg); gastrectomia e consequências (dumping, anemia por B12)
Teste seu entendimento
  • Descreva a irrigação arterial do estômago, citando as artérias que suprem a curvatura menor, a curvatura maior e o fundo.

  • Explique por que a hipertensão portal causa varizes esofagogástricas e qual veia está envolvida nessa anastomose portocava.

  • Quais são as principais relações anatômicas posteriores do estômago e por que isso importa clinicamente?

  • Descreva a inervação autonômica do estômago e os efeitos de cada componente na secreção e motilidade.

  • Por que a gastrectomia total causa anemia megaloblástica e quais células do estômago são responsáveis por prevenir essa complicação?

Não confunda

  • Duodeno

    Duodeno é retroperitoneal (exceto bulbo), em forma de C ao redor da cabeça do pâncreas, recebe bile e suco pancreático; estômago é intraperitoneal, em forma de J, secreta ácido e pepsina.

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  • FMA7131

    Esôfago é um tubo muscular sem função digestiva química, atravessa o hiato esofágico no diafragma (T10), não tem peritônio; estômago tem função secretora (HCl, pepsina, fator intrínseco) e é intraperitoneal.

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  • FMA7196

    Baço é órgão linfoide sólido no hipocôndrio esquerdo, relacionado ao fundo gástrico, irrigado pela artéria esplênica; estômago é órgão oco do trato digestório, irrigado por ramos do tronco celíaco (gástricas e gastroepiplóicas).

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Ontologia

BodyParts3D, CC BY 4.0