Atlas anatômico
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Pâncreas
Pancreas · FMA7198
Também chamada de: Glândula pancreática
Em 30 segundos
Alta relevânciaGlândula mista retroperitoneal que se estende transversalmente do duodeno ao hilo esplênico, na altura de L1-L2. Função exócrina (enzimas digestivas) e endócrina (insulina, glucagon). Patologias pancreáticas (pancreatite, câncer de cabeça) são temas frequentes em provas, especialmente pela relação com ducto biliar comum e veia porta.
Função
Função exócrina: secreção de enzimas digestivas (tripsina, lipase, amilase) e bicarbonato via ducto pancreático. Função endócrina: secreção de insulina (células beta), glucagon (células alfa), somatostatina (células delta) pelas ilhotas pancreáticas diretamente na corrente sanguínea.
Onde fica e relações
Retroperitoneal (exceto pequena porção da cauda), estendendo-se transversalmente pela parede abdominal posterior, ao nível da primeira e segunda vértebras lombares (L1-L2). Cabeça envolvida pela alça duodenal à direita, corpo cruza anteriormente à aorta e veia cava inferior, cauda se estende até o hilo esplênico à esquerda.
Irrigação, drenagem e inervação
- Irrigação
- Cabeça: arcadas pancreaticoduodenais anterior e posterior (anastomose entre ramos da artéria gastroduodenal superiormente e artéria mesentérica superior inferiormente). Corpo e cauda: ramos da artéria esplênica (artéria pancreática dorsal, artéria pancreática magna, artéria pancreática caudal, artéria pancreática inferior).
- Drenagem
- Venosa: veias pancreaticoduodenais drenam para veia porta e veia mesentérica superior; veias do corpo e cauda drenam para veia esplênica. Linfática: linfonodos pancreaticoduodenais, pancreáticos superiores, esplênicos e celíacos; metástases de câncer de cabeça podem atingir linfonodos hepáticos e mesentéricos superiores.
- Inervação
- Inervação autonômica: simpática via plexo celíaco (nervos esplâncnicos maior e menor, T5-T9) - vasoconstrição e inibe secreção; parassimpática via nervo vago - estimula secreção exócrina e endócrina. Dor visceral de pancreatite aguda é referida ao epigástrio e dorso (irradiação em faixa), pela inervação simpática.
No exame físico
- Palpação
- Normalmente não palpável por ser retroperitoneal e profundo. Massa pancreática pode ser palpável em epigástrio em tumores grandes. Vesícula palpável (sinal de Courvoisier) sugere obstrução por tumor de cabeça.
- Referência no exame
- Dor à palpação profunda em epigástrio e hipocôndrio esquerdo na pancreatite aguda. Sinal de Grey-Turner (equimose em flancos) e Cullen (periumbilical) em pancreatite hemorrágica grave indicam dissecção retroperitoneal.
Na clínica
- Pancreatite aguda: dor epigástrica intensa em faixa irradiando para dorso, elevação de amilase/lipase; causas principais são cálculo biliar (obstrução ampular) e álcool
- Câncer de cabeça do pâncreas: icterícia obstrutiva indolor (sinal de Courvoisier: vesícula palpável), prurido, colúria e acolia; obstrui ducto biliar comum
- Pseudocisto pancreático: coleção líquida encapsulada pós-pancreatite aguda, pode comprimir estruturas adjacentes (estômago, duodeno, veia porta)
- Insulinoma: tumor de células beta das ilhotas, causa hipoglicemia de jejum (tríade de Whipple); diagnóstico com dosagem de insulina e peptídeo C durante hipoglicemia
- Trauma pancreático: lesão por trauma abdominal fechado (volante, guidão de bicicleta) sobre coluna vertebral; suspeitar se elevação de amilase sérica e sinais de irritação peritoneal
- Relação cirúrgica: veia mesentérica superior e veia esplênica se unem posteriormente ao colo do pâncreas formando veia porta - ponto crítico em pancreatectomias
Cai na prova
- Divisão anatômica: cabeça (com processo uncinado), colo, corpo e cauda - cabeça na alça duodenal, cauda até hilo esplênico
- Ducto pancreático (Wirsung) drena no ducto biliar comum formando ampola hepatopancreática (Vater) na papila duodenal maior; ducto pancreático acessório (Santorini) drena na papila menor
- Irrigação dupla da cabeça (arcadas pancreaticoduodenais) vs corpo/cauda (ramos da esplênica) - importante para cirurgia e necrose
- Retroperitoneal (exceto pequena parte da cauda que pode ser intraperitoneal no ligamento esplenorrenal) - explica disseminação de pancreatite para retroperitônio
- Relação posterior: aorta, veia cava inferior, veia mesentérica superior, artéria mesentérica superior, veia esplênica - compressão vascular em tumores
- Sinal de Grey-Turner (equimose em flancos) e sinal de Cullen (equimose periumbilical) em pancreatite hemorrágica grave
- Trígono de Calot modificado: importante na colecistectomia mas próximo à cabeça pancreática - lesão iatrogênica de ducto biliar pode envolver pâncreas
Teste seu entendimento
Quais são as divisões anatômicas do pâncreas e suas relações topográficas principais?
Descreva a irrigação arterial do pâncreas, diferenciando cabeça de corpo/cauda.
Qual a relação do ducto pancreático com o sistema biliar e onde desemboca?
Por que a dor da pancreatite aguda irradia para o dorso?
Qual a importância clínica da relação entre colo do pâncreas e veia porta?
Não confunda
FMA7206
Duodeno é alça intestinal em C que envolve a cabeça do pâncreas; pâncreas é glândula retroperitoneal sólida dentro dessa alça.
FMA7196
Baço é órgão linfoide intraperitoneal no hipocôndrio esquerdo; cauda pancreática se estende até o hilo esplênico mas pâncreas é retroperitoneal e tem função digestiva/endócrina.
BodyParts3D, CC BY 4.0