Atlas anatômico

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Cúspide anterior da valva mitral

Anterior leaflet of mitral valve · FMA7242

Também chamada de: Válvula anterior da valva mitral · Folheto anterior da valva mitral · Cúspide aórtica da valva mitral

Em 30 segundos

Alta relevância

A cúspide anterior da valva mitral é o maior dos dois folhetos da valva atrioventricular esquerda, ocupando aproximadamente dois terços do anel valvar. Situa-se entre a via de entrada (átrio esquerdo) e a via de saída (aorta) do ventrículo esquerdo, em continuidade fibrosa com as cúspides aórticas. É a estrutura mais frequentemente acometida no prolapso de valva mitral e na endocardite infecciosa, sendo essencial para a competência valvar e prevenção de regurgitação mitral.

Função

Impede o refluxo de sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo durante a sístole ventricular. Durante a diástole, permite o enchimento ventricular ao se abrir completamente. Sua coaptação adequada com a cúspide posterior é fundamental para a função valvar normal.

Onde fica e relações

Localiza-se no orifício atrioventricular esquerdo, entre a cavidade do átrio esquerdo superiormente e a cavidade do ventrículo esquerdo inferiormente. Sua base está inserida no anel mitral anterior, e sua borda livre se projeta em direção ao ápice ventricular. Situa-se anteriormente em relação à cúspide posterior e em continuidade fibrosa com as cúspides aórticas (anterior e posterior) através do trígono fibroso.

Irrigação, drenagem e inervação
Irrigação
Irrigada por ramos da artéria coronária esquerda, principalmente através de ramos septais da artéria interventricular anterior e ramos atriais da artéria circunflexa.
Drenagem
Drenagem venosa para o seio coronário através das veias cardíacas, principalmente a veia cardíaca magna.
Inervação
Inervação autonômica pelo plexo cardíaco, com fibras simpáticas (aumentam contratilidade do aparelho subvalvar) e parassimpáticas (via nervo vago). A valva em si é pouco inervada, mas o aparelho subvalvar e o miocárdio adjacente recebem inervação rica.
No exame físico
Palpação
Não palpável diretamente
Referência no exame
Foco mitral (ápice cardíaco) - 5º espaço intercostal esquerdo na linha hemiclavicular. Ausculta de B1 (fechamento) e sopros de estenose/insuficiência mitral
Na clínica
  • Prolapso de valva mitral: a cúspide anterior prolapsa para o átrio esquerdo durante a sístole, causando regurgitação mitral; mais comum em mulheres jovens, pode causar clique mesossistólico e sopro telessistólico
  • Endocardite infecciosa: a cúspide anterior é frequentemente acometida, especialmente em usuários de drogas injetáveis e pacientes com valvas protéticas; pode levar a vegetações, perfuração e insuficiência mitral aguda grave
  • Ruptura de cordoalha tendínea: trauma torácico, endocardite ou degeneração mixomatosa podem causar ruptura das cordoalhas que sustentam a cúspide anterior, resultando em regurgitação mitral aguda e edema pulmonar
  • Estenose mitral reumática: fusão comissural e espessamento da cúspide anterior reduzem a área valvar, causando gradiente diastólico e dilatação atrial esquerda; comum em países em desenvolvimento
  • Disfunção isquêmica: isquemia ou infarto do músculo papilar (especialmente o posterolateral) pode causar regurgitação mitral por restrição do movimento da cúspide anterior
  • Ecocardiografia: a cúspide anterior é melhor visualizada no plano paraesternal eixo longo e apical quatro câmaras; seu movimento em 'M' no modo M é característico
Cai na prova
  • A cúspide anterior é MAIOR que a posterior (ocupa 2/3 do anel), mas a posterior tem maior extensão circunferencial - pegadinha clássica
  • Continuidade fibrosa entre a cúspide anterior da mitral e as cúspides aórticas (anterior e posterior esquerda) - importante para entender propagação de abscessos em endocardite
  • Ambos os músculos papilares (anterolateral e posteromedial) enviam cordoalhas para AMBAS as cúspides - não há correspondência 1:1
  • No prolapso, o clique ocorre quando a cúspide prolapsa (mesossistólico), e o sopro começa após o clique (telessistólico) - diferente da insuficiência mitral crônica (sopro holossistólico)
  • A ruptura de cordoalha da cúspide anterior causa regurgitação MAIS grave que da posterior, pois a anterior é maior e mais importante para a coaptação
  • Na estenose mitral, a cúspide anterior tem mobilidade reduzida na diástole, causando o 'doming' característico no ecocardiograma
  • Músculo papilar posteromedial (irrigado só pela coronária direita ou circunflexa) é mais propenso a isquemia que o anterolateral (dupla irrigação) - causa regurgitação mitral isquêmica
Teste seu entendimento
  • Qual a relação anatômica entre a cúspide anterior da mitral e a valva aórtica?

  • Por que a ruptura de cordoalha da cúspide anterior causa regurgitação mitral mais grave que a da cúspide posterior?

  • Qual a diferença entre o sopro do prolapso de valva mitral e o da insuficiência mitral crônica?

  • Qual músculo papilar é mais vulnerável à isquemia e por quê?

  • Como a manobra de Valsalva afeta o sopro do prolapso de valva mitral?

Não confunda

  • FMA7243

    A cúspide posterior é MENOR em área (1/3 do anel) mas tem MAIOR extensão circunferencial; a anterior é maior em área mas menor em extensão circunferencial.

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  • FMA7238

    A cúspide anterior da tricúspide faz parte da valva atrioventricular DIREITA, não tem continuidade fibrosa com valva semilunar, e é menos acometida por prolapso e endocardite que a mitral.

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  • FMA7253

    A cúspide anterior da aórtica é uma valva SEMILUNAR (não atrioventricular), não tem cordoalhas nem músculos papilares, e está em continuidade fibrosa com a cúspide anterior da mitral.

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Ontologia

BodyParts3D, CC BY 4.0