Atlas anatômico

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Parênquima do pâncreas

Parenchyma of pancreas · FMA63120

Também chamada de: Tecido pancreático · Parênquima pancreático

Em 30 segundos

Alta relevância

Tecido funcional do pâncreas composto por componente exócrino (ácinos e ductos) e endócrino (ilhotas de Langerhans). Responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios reguladores da glicemia. Lesões do parênquima causam pancreatite, diabetes e neoplasias que são temas frequentes em provas.

Função

Função exócrina: secreção de enzimas digestivas (tripsina, lipase, amilase) e bicarbonato para o duodeno via ducto pancreático. Função endócrina: produção de insulina (células beta), glucagon (células alfa), somatostatina (células delta) e polipeptídeo pancreático pelas ilhotas de Langerhans.

Onde fica e relações

Retroperitoneal, exceto pequena porção da cauda. Estende-se transversalmente do duodeno (cabeça) ao hilo esplênico (cauda), ao nível de L1-L2. Cabeça relaciona-se com a curvatura duodenal, corpo cruza anteriormente aos vasos mesentéricos superiores e aorta, cauda alcança o hilo do baço.

Irrigação, drenagem e inervação
Irrigação
Cabeça: artérias pancreaticoduodenais superiores (ramos da gastroduodenal) e inferiores (ramos da mesentérica superior), formando arcadas anterior e posterior. Corpo e cauda: ramos da artéria esplênica (pancreática dorsal, pancreática magna, pancreática inferior, pancreática caudal).
Drenagem
Veias pancreaticoduodenais drenam para veia mesentérica superior e veia porta. Corpo e cauda drenam para veia esplênica, que se une à mesentérica superior para formar a veia porta hepática.
Inervação
Inervação autonômica: simpático via plexo celíaco (vasoconstrição, inibe secreção exócrina, estimula glucagon); parassimpático via nervo vago (estimula secreção exócrina e insulina). Dor visceral da pancreatite é referida ao epigástrio e dorso (irradiação em faixa), transmitida por fibras aferentes viscerais que acompanham o simpático.
No exame físico
Palpação
Não palpável em condições normais devido à sua localização retroperitoneal profunda na região epigástrica, posterior ao estômago e anterior aos grandes vasos (aorta e veia cava inferior). Pode tornar-se palpável apenas em casos patológicos como massas ou pseudocistos volumosos.
Referência no exame
Projeta-se na região epigástrica e hipocôndrio esquerdo, aproximadamente ao nível de L1-L2, estendendo-se transversalmente desde a curvatura duodenal (cabeça) até o hilo esplênico (cauda). A cabeça localiza-se à direita da linha mediana, o corpo cruza anteriormente à aorta, e a cauda dirige-se superiormente em direção ao baço.
Na clínica
  • Pancreatite aguda: dor epigástrica em faixa irradiando para dorso, elevação de amilase/lipase, sinal de Cullen (equimose periumbilical) e Grey-Turner (flancos) nas formas necro-hemorrágicas
  • Pancreatite crônica: calcificações pancreáticas, insuficiência exócrina (esteatorreia, má absorção) e endócrina (diabetes mellitus tipo 3c)
  • Adenocarcinoma de pâncreas: icterícia obstrutiva indolor (sinal de Courvoisier quando acomete cabeça), perda ponderal, trombose migratória (sinal de Trousseau)
  • Pseudocisto pancreático: coleção líquida encapsulada pós-pancreatite, massa epigástrica pulsátil, pode comprimir estruturas adjacentes
  • Insulinoma: tumor de células beta, tríade de Whipple (hipoglicemia em jejum, glicemia <50mg/dL, reversão com glicose)
  • Trauma pancreático: lesão por trauma abdominal fechado (guidão de bicicleta), elevação de amilase sérica, pode evoluir com fístula pancreática
Cai na prova
  • Irrigação dupla da cabeça (arcadas pancreaticoduodenais) versus irrigação pela esplênica no corpo/cauda
  • Relação do corpo do pâncreas com vasos mesentéricos superiores (cruzam anteriormente) - importante em trauma e cirurgia
  • Drenagem venosa para sistema porta (metástases hepáticas precoces no câncer de pâncreas)
  • Dor referida em faixa da pancreatite (fibras aferentes viscerais do plexo celíaco)
  • Diferença entre componente exócrino (ácinos, 98% do parênquima) e endócrino (ilhotas, 2%)
  • Localização retroperitoneal (exceto cauda) - explica disseminação de processos inflamatórios para retroperitônio
  • Relação da cabeça com duodeno (segunda porção) - icterícia obstrutiva em tumores de cabeça
  • Sinal de Courvoisier: vesícula palpável indolor em obstrução neoplásica versus vesícula fibrosada em coledocolitíase
Teste seu entendimento
  • Qual a diferença funcional entre o componente exócrino e endócrino do parênquima pancreático?

  • Descreva a irrigação arterial da cabeça do pâncreas e sua importância cirúrgica.

  • Por que a dor da pancreatite aguda irradia em faixa para o dorso?

  • Explique o sinal de Courvoisier e sua relação com neoplasias do parênquima pancreático.

  • Quais as principais complicações da pancreatite aguda relacionadas ao parênquima?

Não confunda

  • FMA10419

    O ducto pancreático é a estrutura tubular que drena as secreções exócrinas do parênquima para o duodeno, enquanto o parênquima é o tecido funcional (ácinos e ilhotas) que produz essas secreções.

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  • Duodeno

    O duodeno envolve a cabeça do pâncreas em formato de C, mas é estrutura do tubo digestivo (mucosa, submucosa, muscular), enquanto o parênquima pancreático é glândula anexa retroperitoneal.

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  • FMA7196

    O baço é órgão linfoide na extremidade da cauda pancreática, enquanto o parênquima do pâncreas é glândula mista (exócrina e endócrina); ambos podem causar dor no hipocôndrio esquerdo, mas etiologias distintas.

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Ontologia

BodyParts3D, CC BY 4.0