Atlas anatômico
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Artéria carótida interna direita
Right internal carotid artery · FMA3949
Também chamada de: Carótida interna · ACI
Em 30 segundos
Alta relevânciaPrincipal artéria de irrigação cerebral, origina-se da bifurcação da carótida comum ao nível de C3-C4 e penetra na base do crânio pelo canal carotídeo. Responsável por 80% do fluxo sanguíneo cerebral, irriga o território anterior do cérebro (lobos frontal, parietal e temporal anterior) através de seus ramos terminais (cerebral anterior e cerebral média).
Função
Irrigação do território cerebral anterior (lobos frontal, parietal, temporal anterior, núcleos da base, cápsula interna), órbita e hipófise
Onde fica e relações
Origina-se da bifurcação da artéria carótida comum ao nível de C3-C4, ascende pelo pescoço sem ramos, penetra na base do crânio pelo canal carotídeo do osso temporal, percorre o seio cavernoso formando o sifão carotídeo e termina na fissura lateral do cérebro dividindo-se em artérias cerebral anterior e cerebral média
Irrigação, drenagem e inervação
- Inervação
- Plexo simpático pericarotídeo (fibras do gânglio cervical superior)
No exame físico
- Palpação
- Pulso carotídeo palpável no trígono carotídeo (entre borda anterior do esternocleidomastóideo e borda superior da cartilagem tireoide), mas corresponde à artéria carótida comum antes da bifurcação; a carótida interna propriamente não é palpável pois ascende profundamente
- Referência no exame
- Ausculta de sopro carotídeo no ângulo da mandíbula sugere estenose; manobra de compressão carotídea (contraindicada se estenose conhecida) pode desencadear síncope reflexa; palpação do pulso temporal superficial (ramo da carótida externa) ajuda a diferenciar as duas carótidas
Na clínica
- Dissecção traumática ou espontânea: causa importante de AVE em jovens, apresenta-se com síndrome de Horner ipsilateral (lesão do plexo simpático) e déficit neurológico contralateral
- Aneurisma sacular: mais comum na bifurcação terminal ou na origem da comunicante posterior; ruptura causa hemorragia subaracnóidea; compressão do nervo oculomotor causa ptose e midríase ipsilaterais
- Oclusão aguda: AVE isquêmico extenso no território anterior (hemiplegia contralateral, hemianestesia, afasia se hemisfério dominante, heminegligência se não-dominante); circulação colateral pelo polígono de Willis pode atenuar
- Aterosclerose no sifão carotídeo: local comum de estenose; indicação de endarterectomia ou stent se estenose >70% sintomática ou >80% assintomática
- Síndrome do seio cavernoso: trombose ou fístula carótido-cavernosa afeta a porção cavernosa da ACI; apresenta oftalmoplegia, proptose, quemose e dor periorbital
Cai na prova
- Segmentos anatômicos da ACI: cervical (sem ramos), petroso (ramo caroticotimpânico), cavernoso (ramos hipofisários e do tentório), supraclinoideo (oftálmica, comunicante posterior, coroidal anterior, terminais)
- Ramos terminais: cerebral anterior (medial) e cerebral média (lateral); a bifurcação é lateral ao quiasma óptico
- Polígono de Willis: a comunicante posterior conecta ACI à cerebral posterior, permitindo circulação colateral; hipoplasia ou ausência da comunicante é comum e aumenta risco de AVE em oclusão da ACI
- Território de irrigação: cerebral anterior irriga face medial do hemisfério e lobo paracentral; cerebral média irriga face lateral (áreas motora e sensitiva do braço/face, área de Broca no hemisfério dominante)
- Sinal clássico de aneurisma de comunicante posterior: paralisia do III nervo (ptose, midríase, olho 'para baixo e para fora') ipsilateral por compressão
- Diferença com carótida externa: a interna NÃO tem ramos cervicais (a externa tem múltiplos); a interna entra no crânio, a externa permanece extracraniana
- Doppler carotídeo: exame de triagem para estenose; fluxo de alta resistência na carótida externa (ramos musculares) vs. baixa resistência na interna (cérebro)
- Endarterectomia carotídea: indicada em estenose sintomática >50% ou assintomática >70%; complicação temida é AVE perioperatório por embolia ou hipoperfusão
Teste seu entendimento
Quais são os quatro segmentos anatômicos da artéria carótida interna e cite um ramo de cada segmento intracraniano?
Descreva o território de irrigação da artéria carótida interna e explique a circulação colateral pelo polígono de Willis.
Qual a apresentação clínica clássica de um aneurisma de artéria comunicante posterior e por que ocorre?
Como diferenciar clinicamente uma oclusão da artéria carótida interna de uma oclusão da artéria cerebral média?
Quais são as indicações de endarterectomia ou stent carotídeo e qual a principal complicação do procedimento?
Não confunda
FMA3941
A carótida comum bifurca-se em interna e externa ao nível de C3-C4; a interna é continuação cranial sem ramos cervicais, enquanto a comum não tem ramos antes da bifurcação.
FMA3958
A vertebral irriga o território posterior (tronco cerebral, cerebelo, lobos occipitais), enquanto a carótida interna irriga o território anterior; a vertebral ascende pelos forames transversos de C6-C1, a carótida interna ascende livremente no pescoço.
FMA50029
A cerebral anterior é ramo terminal medial da carótida interna e irriga a face medial do hemisfério; a carótida interna é o tronco principal que também origina a cerebral média (ramo lateral).
BodyParts3D, CC BY 4.0