Atlas anatômico
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Osso do quadril direito
Right hip bone · FMA16586
Também chamada de: Osso ilíaco · Osso coxal · Osso inominado
Em 30 segundos
Alta relevânciaMalha óssea única resultante da fusão de ílio, ísquio e púbis na cartilagem trirradiada durante a puberdade. Forma o acetábulo em sua face lateral, articula-se com o sacro posteriormente (articulação sacroilíaca) e com o osso contralateral anteriormente (sínfise púbica), fechando o anel pélvico. Cai muito em prova: fraturas do anel pélvico, luxação posterior de quadril com fratura acetabular, e pontos de referência para bloqueios e punções.
Função
Sustenta o peso do tronco e transmite forças para os membros inferiores. Forma a cavidade acetabular para articulação com a cabeça do fêmur. Oferece ampla superfície de inserção para músculos do tronco, quadril e coxa. Protege vísceras pélvicas.
Onde fica e relações
Irrigação, drenagem e inervação
- Irrigação
- Artérias glúteas superior e inferior (ramos da artéria ilíaca interna), artéria obturatória, artéria circunflexa femoral medial e lateral (ramos da artéria femoral profunda), artéria iliolombar.
- Drenagem
- Veias glúteas superior e inferior, veia obturatória, veias circunflexas femorais (tributárias da veia femoral profunda e veia ilíaca interna).
- Inervação
- Nervos glúteos superior e inferior, nervo obturatório, nervo femoral, nervo isquiático (todos fornecem ramos sensitivos ao periósteo e articulações).
No exame físico
- Palpação
- Crista ilíaca: borda superior do ílio, palpável em toda extensão da cintura à região lombar; ponto mais alto (tubérculo ilíaco) na altura de L4–L5 (linha de Tuffier). EIAS (espinha ilíaca anterossuperior): proeminência anterior da crista ilíaca, 2–3cm medial e inferior à crista; origem do sartório e ligamento inguinal. EIPS (espinha ilíaca posterossuperior): depressão palpável (covinha de Vênus) 3–4cm lateral à linha média, na altura de S2. Tuberosidade isquiática: palpável profundamente na nádega com quadril fletido ou paciente sentado; inserção dos isquiotibiais.
- Referência no exame
- Linha de Tuffier (crista ilíaca na altura de L4–L5): referência para punção lombar (espaço L3–L4 ou L4–L5) e anestesia peridural. EIAS: ponto de partida para medir comprimento real do membro inferior (EIAS até maléolo medial). Triângulo de Scarpa (femoral): base = ligamento inguinal (EIAS até tubérculo púbico), lateralmente sartório, medialmente adutor longo; palpa-se pulso femoral no terço médio da base. EIPS: referência para infiltração da articulação sacroilíaca (3cm caudal e 1cm medial à EIPS).
Na clínica
- Fratura do anel pélvico: mecanismo de alta energia (atropelamento, queda de altura); classificação de Tile/Young-Burgess define estabilidade e conduta. Fratura instável (tipo C) = lesão posterior (sacroilíaca) + anterior (púbis/ramos): risco de choque hipovolêmico por lesão de plexo venoso pélvico e artérias glúteas/pudendas.
- Luxação posterior de quadril: trauma de alta energia com quadril fletido e aduzido (ex.: joelho contra painel em colisão frontal). Cabeça do fêmur rompe a parede posterior do acetábulo; 10–20% associam fratura acetabular. Risco de lesão do nervo isquiático (10–20% dos casos, mais comum o componente fibular comum) e necrose avascular da cabeça femoral se redução tardia (>6h).
- Fratura por avulsão: adolescentes atletas. EIAS (espinha ilíaca anterossuperior): sartório; EIAI (espinha ilíaca anteroinferior): reto femoral; tuberosidade isquiática: isquiotibiais. Dor súbita durante sprint ou chute.
- Fratura por estresse do colo femoral ou ramo púbico: corredores de longa distância, recrutas militares. Dor insidiosa na virilha ou coxa, piora com carga. RM detecta edema ósseo antes de linha de fratura na radiografia.
- Osteíte púbica: dor na sínfise púbica pós-cirurgia urológica, pós-parto ou em atletas (futebol, corrida). Imagem: alargamento e irregularidade da sínfise, edema ósseo na RM.
- Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ): acetábulo raso, cabeça femoral subluxada ou luxada. Triagem neonatal: manobras de Ortolani e Barlow; USG até 4–6 meses, depois radiografia (índice acetabular, linha de Shenton). Tratamento precoce (suspensório de Pavlik) previne displasia residual e osteoartrite precoce.
- Impacto femoroacetabular (IFA): came (deformidade da junção cabeça-colo femoral) ou pincer (retroversão acetabular, cobertura excessiva). Dor na virilha com flexão e rotação interna; teste de impacto anterior positivo. RM com contraste: lesão labral e cartilagem.
- Ponto de referência para bloqueios: espinha ilíaca anterossuperior e posterossuperior (EIAS e EIPS) guiam bloqueio do nervo cutâneo femoral lateral (meralgia parestésica) e infiltração sacroilíaca. Crista ilíaca na altura de L4–L5 (linha de Tuffier) orienta punção lombar e anestesia peridural.
Cai na prova
- Fusão dos três ossos (ílio, ísquio, púbis) na cartilagem trirradiada durante a puberdade, formando o acetábulo — pegadinha: aluno acha que acetábulo é peça separada.
- Fratura instável do anel pélvico (tipo C de Tile): lesão anterior (ramos púbicos ou sínfise) + lesão posterior (sacroilíaca ou sacro) = instabilidade vertical. Conduta: fixação externa emergente se hemodinamicamente instável, depois fixação interna definitiva.
- Luxação posterior de quadril: quadril fletido + aduzido + rotação interna no trauma; cabeça femoral posterior ao acetábulo na radiografia AP de pelve; 10–20% lesam nervo isquiático (pé caído, anestesia da perna). Redução urgente (<6h) para evitar necrose avascular.
- Fratura da parede posterior do acetábulo: a mais comum em luxação posterior. Radiografia: sinal do crescente posterior (fragmento ósseo); TC define tamanho do fragmento e estabilidade (>40% da parede = instável, precisa fixar).
- Avulsão da EIAS (espinha ilíaca anterossuperior): sartório; EIAI (espinha ilíaca anteroinferior): reto femoral; tuberosidade isquiática: isquiotibiais. Adolescente atleta, dor súbita durante sprint.
- Linha de Shenton: arco contínuo do colo femoral ao ramo superior do púbis na radiografia AP de pelve. Quebra da linha = luxação ou fratura do quadril.
- Índice acetabular: ângulo entre linha de Hilgenreiner (cartilagens trirradiadas) e teto acetabular. Normal <30° no RN, <25° aos 2 anos. Aumento = displasia acetabular.
- Crista ilíaca na altura de L4–L5 (linha de Tuffier): referência para punção lombar (espaço L3–L4 ou L4–L5) e peridural obstétrica.
- Forame obturado: fechado pela membrana obturatória, exceto no canal obturatório (passam nervo e vasos obturatórios). Hérnia obturatória: mais comum em mulheres idosas magras, dor na coxa medial (compressão do nervo obturatório = sinal de Howship-Romberg).
- Articulação sacroilíaca: sinovial anteriormente, fibrosa posteriormente. Ligamentos sacroilíacos posteriores (interósseo e dorsal) são os mais fortes do corpo, essenciais para estabilidade do anel pélvico. Lesão = instabilidade vertical (fratura tipo C).
Teste seu entendimento
Quais três ossos se fundem para formar o osso do quadril e onde ocorre essa fusão?
Descreva o mecanismo e os achados clínicos da luxação posterior de quadril.
Qual a classificação de Tile para fraturas do anel pélvico e o que define uma fratura tipo C?
Cite três pontos de referência palpáveis do osso do quadril e sua utilidade clínica.
Qual a diferença entre fratura por avulsão da EIAS e da EIAI, e qual músculo está envolvido em cada uma?
Não confunda
FMA16202
O sacro é a peça óssea mediana posterior (fusão de 5 vértebras sacrais), articula-se com os dois ossos do quadril nas articulações sacroilíacas; o osso do quadril é lateral, forma o acetábulo e a parede anterolateral da pelve.
FMA24474
O fêmur é o osso da coxa, articula-se com o acetábulo do osso do quadril na articulação do quadril; o osso do quadril forma a cavidade acetabular que recebe a cabeça do fêmur.
BodyParts3D, CC BY 4.0
Each hip bone consists of three bones: the ischium, ilium, and pubis.
Figueroa C, Jozsa F, Le PH. Anatomy, Bony Pelvis and Lower Limb: Pelvis Bones. [Updated 2023 Jul 30]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-.