Anatomy atlas
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Osso do quadril esquerdo
Left hip bone · FMA16587
Also called: Osso ilíaco · Osso coxal · Osso inominado
In 30 seconds
High relevanceMalha óssea única resultante da fusão de ílio, ísquio e púbis na cartilagem trirradiada durante a puberdade. Forma o acetábulo em sua face lateral, articula-se com o sacro posteriormente (articulação sacroilíaca) e com o osso contralateral anteriormente (sínfise púbica), fechando o anel pélvico. Cai muito em prova: fraturas do anel pélvico, luxação posterior de quadril com fratura acetabular, e pontos de referência para bloqueios e punções.
Function
Sustenta o peso do tronco e transmite forças para os membros inferiores. Forma a cavidade acetabular para articulação com a cabeça do fêmur. Oferece ampla superfície de inserção para músculos do tronco, quadril e coxa. Protege vísceras pélvicas.
Where it is and what it relates to
Blood supply, drainage and innervation
- Blood supply
- Artérias glúteas superior e inferior (ramos da artéria ilíaca interna), artéria obturatória, artéria circunflexa femoral medial e lateral (ramos da artéria femoral profunda), artéria iliolombar.
- Drainage
- Veias glúteas superior e inferior, veia obturatória, veias circunflexas femorais (tributárias da veia femoral profunda e veia ilíaca interna).
- Innervation
- Nervos glúteos superior e inferior, nervo obturatório, nervo femoral, nervo isquiático (todos fornecem ramos sensitivos ao periósteo e articulações).
On physical exam
- Palpation
- Crista ilíaca: borda superior do ílio, palpável em toda extensão da cintura à região lombar; ponto mais alto (tubérculo ilíaco) na altura de L4–L5 (linha de Tuffier). EIAS (espinha ilíaca anterossuperior): proeminência anterior da crista ilíaca, 2–3cm medial e inferior à crista; origem do sartório e ligamento inguinal. EIPS (espinha ilíaca posterossuperior): depressão palpável (covinha de Vênus) 3–4cm lateral à linha média, na altura de S2. Tuberosidade isquiática: palpável profundamente na nádega com quadril fletido ou paciente sentado; inserção dos isquiotibiais.
- Exam reference
- Linha de Tuffier (crista ilíaca na altura de L4–L5): referência para punção lombar (espaço L3–L4 ou L4–L5) e anestesia peridural. EIAS: ponto de partida para medir comprimento real do membro inferior (EIAS até maléolo medial). Triângulo de Scarpa (femoral): base = ligamento inguinal (EIAS até tubérculo púbico), lateralmente sartório, medialmente adutor longo; palpa-se pulso femoral no terço médio da base. EIPS: referência para infiltração da articulação sacroilíaca (3cm caudal e 1cm medial à EIPS).
In the clinic
- Fratura do anel pélvico: mecanismo de alta energia (atropelamento, queda de altura); classificação de Tile/Young-Burgess define estabilidade e conduta. Fratura instável (tipo C) = lesão posterior (sacroilíaca) + anterior (púbis/ramos): risco de choque hipovolêmico por lesão de plexo venoso pélvico e artérias glúteas/pudendas.
- Luxação posterior de quadril: trauma de alta energia com quadril fletido e aduzido (ex.: joelho contra painel em colisão frontal). Cabeça do fêmur rompe a parede posterior do acetábulo; 10–20% associam fratura acetabular. Risco de lesão do nervo isquiático (10–20% dos casos, mais comum o componente fibular comum) e necrose avascular da cabeça femoral se redução tardia (>6h).
- Fratura por avulsão: adolescentes atletas. EIAS (espinha ilíaca anterossuperior): sartório; EIAI (espinha ilíaca anteroinferior): reto femoral; tuberosidade isquiática: isquiotibiais. Dor súbita durante sprint ou chute.
- Fratura por estresse do colo femoral ou ramo púbico: corredores de longa distância, recrutas militares. Dor insidiosa na virilha ou coxa, piora com carga. RM detecta edema ósseo antes de linha de fratura na radiografia.
- Osteíte púbica: dor na sínfise púbica pós-cirurgia urológica, pós-parto ou em atletas (futebol, corrida). Imagem: alargamento e irregularidade da sínfise, edema ósseo na RM.
- Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ): acetábulo raso, cabeça femoral subluxada ou luxada. Triagem neonatal: manobras de Ortolani e Barlow; USG até 4–6 meses, depois radiografia (índice acetabular, linha de Shenton). Tratamento precoce (suspensório de Pavlik) previne displasia residual e osteoartrite precoce.
- Impacto femoroacetabular (IFA): came (deformidade da junção cabeça-colo femoral) ou pincer (retroversão acetabular, cobertura excessiva). Dor na virilha com flexão e rotação interna; teste de impacto anterior positivo. RM com contraste: lesão labral e cartilagem.
- Ponto de referência para bloqueios: espinha ilíaca anterossuperior e posterossuperior (EIAS e EIPS) guiam bloqueio do nervo cutâneo femoral lateral (meralgia parestésica) e infiltração sacroilíaca. Crista ilíaca na altura de L4–L5 (linha de Tuffier) orienta punção lombar e anestesia peridural.
Shows up in exams
- Fusão dos três ossos (ílio, ísquio, púbis) na cartilagem trirradiada durante a puberdade, formando o acetábulo — pegadinha: aluno acha que acetábulo é peça separada.
- Fratura instável do anel pélvico (tipo C de Tile): lesão anterior (ramos púbicos ou sínfise) + lesão posterior (sacroilíaca ou sacro) = instabilidade vertical. Conduta: fixação externa emergente se hemodinamicamente instável, depois fixação interna definitiva.
- Luxação posterior de quadril: quadril fletido + aduzido + rotação interna no trauma; cabeça femoral posterior ao acetábulo na radiografia AP de pelve; 10–20% lesam nervo isquiático (pé caído, anestesia da perna). Redução urgente (<6h) para evitar necrose avascular.
- Fratura da parede posterior do acetábulo: a mais comum em luxação posterior. Radiografia: sinal do crescente posterior (fragmento ósseo); TC define tamanho do fragmento e estabilidade (>40% da parede = instável, precisa fixar).
- Avulsão da EIAS (espinha ilíaca anterossuperior): sartório; EIAI (espinha ilíaca anteroinferior): reto femoral; tuberosidade isquiática: isquiotibiais. Adolescente atleta, dor súbita durante sprint.
- Linha de Shenton: arco contínuo do colo femoral ao ramo superior do púbis na radiografia AP de pelve. Quebra da linha = luxação ou fratura do quadril.
- Índice acetabular: ângulo entre linha de Hilgenreiner (cartilagens trirradiadas) e teto acetabular. Normal <30° no RN, <25° aos 2 anos. Aumento = displasia acetabular.
- Crista ilíaca na altura de L4–L5 (linha de Tuffier): referência para punção lombar (espaço L3–L4 ou L4–L5) e peridural obstétrica.
- Forame obturado: fechado pela membrana obturatória, exceto no canal obturatório (passam nervo e vasos obturatórios). Hérnia obturatória: mais comum em mulheres idosas magras, dor na coxa medial (compressão do nervo obturatório = sinal de Howship-Romberg).
- Articulação sacroilíaca: sinovial anteriormente, fibrosa posteriormente. Ligamentos sacroilíacos posteriores (interósseo e dorsal) são os mais fortes do corpo, essenciais para estabilidade do anel pélvico. Lesão = instabilidade vertical (fratura tipo C).
Test your understanding
Quais três ossos se fundem para formar o osso do quadril e onde ocorre essa fusão?
Descreva o mecanismo e os achados clínicos da luxação posterior de quadril.
Qual a classificação de Tile para fraturas do anel pélvico e o que define uma fratura tipo C?
Cite três pontos de referência palpáveis do osso do quadril e sua utilidade clínica.
Qual a diferença entre fratura por avulsão da EIAS e da EIAI, e qual músculo está envolvido em cada uma?
Don't mix these up
FMA16202
O sacro é a peça óssea mediana posterior (fusão de 5 vértebras sacrais), articula-se com os dois ossos do quadril nas articulações sacroilíacas; o osso do quadril é lateral, forma o acetábulo e a parede anterolateral da pelve.
FMA24475
O fêmur é o osso da coxa, articula-se com o acetábulo do osso do quadril na articulação do quadril; o osso do quadril forma a cavidade acetabular que recebe a cabeça do fêmur.
BodyParts3D, CC BY 4.0
This structure is formed by contributions from the pubis, ilium, and ischium.
Figueroa C, Jozsa F, Le PH. Anatomy, Bony Pelvis and Lower Limb: Pelvis Bones. [Updated 2023 Jul 30]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-.