Herpesviridae: latência, subfamílias, tropismo e reativação
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Recorte do tema "famílias de vírus" à família Herpesviridae, sustentado por uma revisão narrativa aberta, sem diretriz.
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Recorte do tema "famílias de vírus" à família Herpesviridae, sustentado por uma revisão narrativa aberta, sem diretriz. A unidade ensina o que define a latência, como as três subfamílias diferem em tropismo e em reservatório latente, como o genoma latente persiste (e a exceção do HHV-6), os programas de latência do EBV em linfócitos B e o que se descreve sobre a reativação; várias relações são incertas na revisão, e a unidade diz quais. Ficam de fora as demais famílias, a replicação viral em geral, o HIV (outra unidade), a clínica de cada herpesvírus, o tratamento e a vacinação.
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Essential
- O ciclo de vida tem duas fases: o ciclo lítico, em que o vírus se replica ativamente e converte a célula infectada numa fábrica de vírus, e a latência, que permite ao vírus persistir durante toda a vida do hospedeiro.
- Depois de uma infecção lítica inicial, o vírus estabelece latência. Latência é definida por três critérios: o genoma viral persiste, a expressão gênica é limitada e não há produção de partículas, e há possibilidade de reativação ao ciclo lítico. Esses critérios separam a latência da infecção persistente, em que novas partículas são produzidas, e da infecção abortiva, em que o vírus não consegue reativar.
- O genoma latente é cromatinizado como o DNA celular, ao contrário do genoma dentro da partícula, que não tem nucleossomos; por isso a atividade transcricional pode ser regulada por modificações de histonas.
- Os herpesvírus das três subfamílias podem reativar periodicamente e voltar ao ciclo lítico, podendo ser desencadeados por uma ampla variedade de fatores fisiológicos e ambientais.
- A reativação causa infecção recorrente sintomática ou eliminação assintomática do vírus para novos hospedeiros. Pensa-se que, no organismo, resulte de imunossupressão somada a fatores que agem direto nas células latentes; o conhecimento do mecanismo exato da passagem ao ciclo lítico é incompleto.
- O EBV infecta linfócitos B virgens, as células mais abundantes na circulação, e usa a diferenciação da célula B para estabelecer latência nas células B de memória, que vivem muito tempo.
- Nas células B de indivíduos saudáveis infectados, programas diferentes de transcrição viral estão associados a estágios específicos de diferenciação. O programa de maior expressão, a latência tipo III, aparece em linhagens linfoblastoides imortalizadas pelo EBV e também em células B virgens infectadas.
- A latência tipo II (EBNA-1 e LMP-1 e/ou -2) foi detectada em células B de centro germinativo, e a tipo I (só EBNA1), em células B de memória em proliferação. Nos tumores, a tipo II foi detectada no carcinoma nasofaríngeo e no linfoma de Hodgkin EBV positivo, e a tipo I no linfoma de Burkitt.
- Nas células B de memória quiescentes aparece a latência tipo 0: só o genoma viral é detectado, sem proteínas virais.
- Quando a célula B de memória é ativada e se torna um plasmócito, o EBV entra no ciclo lítico.
In the clinic
- Alphaherpesvirinae (HSV-1, HSV-2, VZV) · Tropismo relativamente amplo, de hospedeiro e de célula: in vitro quase todos os tipos celulares podem ser infectados, entre eles fibroblastos, células epiteliais e neurônios. Ciclo replicativo muito curto (horas), propagação rápida em cultura, e latência estabelecida em neurônios sensitivos. O ciclo lítico é o caminho padrão. · As subfamílias diferem em tropismo, em duração do ciclo replicativo e em doenças associadas; nos alfaherpesvírus, a célula em que a latência se estabelece é o neurônio sensitivo.
- Betaherpesvirinae (HCMV, HHV-6A e 6B, HHV-7) · Tropismo espécie-específico e ciclo replicativo mais longo (dias). Infectam células epiteliais, endoteliais, musculares lisas, monócitos, linfócitos T e fibroblastos, e estabelecem latência em células-tronco hematopoéticas CD34+ e em monócitos CD14+ ou linfócitos T. No HCMV, os reservatórios importantes são as células-tronco CD34+ e os progenitores mieloides CD33+, que dão origem a monócitos CD14+ latentemente infectados. Para eles também o ciclo lítico é o caminho padrão. Estudos recentes sugerem que o HCMV poderia persistir também em células neuronais. · A revisão lista as células infectadas e os reservatórios de latência da subfamília; a persistência neuronal do HCMV é sugerida por estudos recentes, e os detalhes da infecção neural pelo HCMV ainda precisam ser estudados para resolver as contradições observadas.
- Gammaherpesvirinae (EBV, KSHV) · Tropismo muito estreito, tanto de hospedeiro quanto de tipo celular: são espécie-específicos, infectam linfócitos e células epiteliais e endoteliais, e estabelecem latência em linfócitos B. Nesta subfamília o que predomina é a latência, e não o ciclo lítico. · Por a latência predominar, a dos gamaherpesvírus é a mais estudada e a mais bem compreendida; a revisão atribui o conhecimento mais completo também à falta, até então, de modelos adequados de latência para alfa e betaherpesvírus.
- HHV-7 (limite do conhecimento) · Os mecanismos de estabelecimento e de manutenção da latência do HHV-7 ainda estão em investigação, e os genes de latência do HHV-7 não foram identificados. · Para o HHV-7 a revisão registra que o mecanismo ainda está em investigação.
- Latência em célula que se divide (progenitores hematopoéticos, células linfoides) · O genoma persiste como molécula circular, um epissoma, preso aos cromossomos celulares com a ajuda de proteínas virais e celulares, e é duplicado uma vez por ciclo celular, em sincronia com a fase S, com a maquinaria celular. Os gamaherpesvírus codificam proteínas de ligação à origem de replicação (LANA1 no KSHV, EBNA1 no EBV), que recrutam as proteínas celulares de replicação para os genomas virais. · Os herpesvírus que fazem latência em células que se dividem precisaram desenvolver uma estratégia para manter o genoma latente.
- Latência em neurônio (alfaherpesvírus) · Os alfaherpesvírus estabelecem latência em neurônios terminalmente diferenciados, que não se dividem; não têm essa proteína de ancoragem. · Como o neurônio não se divide, não há risco de perder o genoma viral e, por isso, não há necessidade de prender o epissoma à cromatina celular.
- HHV-6 (exceção ao epissoma) · Entre os herpesvírus humanos, o HHV-6 é uma exceção: seu genoma se integra nas sequências teloméricas dos cromossomos do hospedeiro. Como o tropismo do HHV-6 é amplo, a integração pode ocorrer também em gametas, e o genoma integrado pode ser transmitido a 50% da prole, segundo a lei de Mendel. O resultado pode ser um indivíduo com uma cópia integrada do genoma em todas as células do corpo, condição chamada de HHV-6 cromossomicamente integrado herdado (iciHHV-6), com frequência aproximada de 1% na população mundial. · Quando o genoma está integrado ao cromossomo, ele acompanha a célula e, se a integração ocorre em gametas, passa à prole pela herança.
- Genoma na partícula × genoma latente · Dentro da partícula viral o genoma é compactado com espermina e não tem nucleossomos; na latência ele é totalmente cromatinizado, de modo semelhante ao DNA celular. · Ao ser cromatinizado, o genoma latente passa a ter a atividade transcricional regulada por modificações de histonas, como a cromatina celular.
- Herpesvírus em geral · Os herpesvírus das três subfamílias podem reativar periodicamente e causar infecção recorrente sintomática ou ser eliminados de forma assintomática para novos hospedeiros. A imunossupressão (por radiação ultravioleta, estresse ou quimioterapia, por exemplo) é um indutor comum do ciclo lítico em todos eles, e as citocinas pró-inflamatórias são outro sinal que tende a reativá-los. · Pensa-se que, no organismo, a reativação combine imunossupressão e fatores que agem direto nas células latentes; o conhecimento do mecanismo exato da passagem ao ciclo lítico é incompleto.
- HSV (alfaherpesvírus) · A reativação sintomática pode ocorrer repetidamente e sobretudo em jovens. Entre os fatores descritos: lesão local do nervo (por exemplo, cirurgia), que leva a herpes labial no dermátomo inervado pelo nervo lesado; sol e radiação ultravioleta; e mudanças da temperatura corporal, como a hipertermia da febre e a hipotermia. · Depois de lesão local do nervo, o herpes labial surgiu no dermátomo inervado pelo nervo lesado.
- VZV (alfaherpesvírus) · A reativação clínica tipicamente ocorre uma vez na vida e acomete sobretudo idosos. · O padrão descrito é tipicamente uma única vez na vida e sobretudo em idosos, em contraste com o do HSV (repetido, sobretudo em jovens).
- HCMV (betaherpesvírus) · O HCMV latente pode reativar nas células da linhagem mieloide quando elas se diferenciam em macrófagos e células dendríticas mieloides, conduzidas por citocinas pró-inflamatórias. Em receptores de aloenxerto, a terapia imunossupressora, que suprime fortemente a imunidade celular, torna os indivíduos mais propensos à reativação viral, e um número reduzido de linfócitos T CD8+, que têm papel central no controle da infecção latente pelo HCMV, contribui para a reativação em imunossuprimidos. · No HCMV a reativação pode ocorrer com a diferenciação da célula mieloide, e os linfócitos T CD8+ têm papel central no controle da infecção latente.
- EBV (gamaherpesvírus) · A última etapa de diferenciação da célula B de memória em plasmócito é sinal para o EBV entrar no ciclo lítico. · A revisão diz que a reativação lítica de gama e betaherpesvírus pode depender da diferenciação celular.
Test yourself before moving on
Numa biópsia, encontra-se genoma de um herpesvírus dentro de células que não liberam partículas virais. Isso basta para dizer que o vírus está em latência? O que define a latência e a separa de uma infecção persistente e de uma infecção abortiva?
The answer stays in Assessment, with no spoiler here.
Answer in AssessmentSources (1)
- Weidner-Glunde M, Kruminis-Kaszkiel E, Savanagouder M. Herpesviral Latency-Common Themes. Pathogens. 2020;9(2):125.
Herpesviruses include three subfamilies: Alpha-, Beta-, and Gammaherpesvirinae, each one of them having different characteristics with regard to tropism, length of the replicative cycle and associated diseases.
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