Atlas anatômico

2.234 peças, 1.658 estruturas, 15 sistemas. Procure pelo nome ou estude um sistema inteiro.

Lobo caudado do fígado

Caudate lobe of liver · FMA13365

Também chamada de: Lobo de Spiegel · Lobo posterior do fígado

Em 30 segundos

Alta relevância

Pequeno lobo hepático localizado na face posterior do fígado, entre a veia cava inferior à direita e o ligamento venoso à esquerda. Possui irrigação e drenagem venosa independentes dos lobos direito e esquerdo, o que lhe confere importância na cirrose e na síndrome de Budd-Chiari. É considerado um segmento hepático autônomo (segmento I de Couinaud).

Função

Possui as mesmas funções metabólicas do parênquima hepático (síntese proteica, metabolismo de nutrientes, detoxificação, produção de bile). Sua independência vascular permite hipertrofia compensatória quando os demais lobos estão comprometidos.

Onde fica e relações

Face posterior (visceral) do fígado, entre a veia cava inferior (sulco direito) e o ligamento venoso (sulco esquerdo). Forma a parede superior (teto) do forame epiploico (de Winslow) e relaciona-se posteriormente com os pilares diafragmáticos. Situa-se superiormente ao hilo hepático.

  • Vizinhaveia cava inferior (sulco direito)
  • Vizinhaligamento venoso (sulco esquerdo)
  • Vizinhaforame epiploico (anteriormente)
  • Vizinhapilares diafragmáticos (posteriormente)
  • Drenaveias hepáticas que drenam diretamente para a veia cava inferior
Irrigação, drenagem e inervação
Irrigação
Dupla irrigação arterial: recebe ramos do lobo caudado tanto da artéria hepática esquerda quanto da artéria hepática direita. Esta irrigação bilateral é única entre os segmentos hepáticos e explica sua preservação relativa em algumas hepatopatias.
Drenagem
Drenagem venosa independente: pequenas veias hepáticas drenam diretamente da face posterior do lobo caudado para a veia cava inferior, sem passar pelas veias hepáticas principais (direita, média e esquerda). Esta drenagem direta é crucial na síndrome de Budd-Chiari. Drenagem biliar pelo ducto do lobo caudado esquerdo.
Inervação
Inervação autonômica pelo plexo hepático, derivado do plexo celíaco. Fibras simpáticas do tronco simpático torácico (T7-T10) e parassimpáticas do nervo vago. Dor visceral hepática referida ao hipocôndrio direito e epigástrio.
No exame físico
Palpação
Não palpável em condições normais devido à sua localização profunda posterior, entre a veia cava inferior e o ligamento venoso
Referência no exame
Localiza-se profundamente no hipocôndrio direito e epigástrio, posteriormente à face visceral hepática, não acessível ao exame físico direto
Na clínica
  • Hipertrofia do lobo caudado na cirrose hepática: devido à drenagem venosa independente, o lobo caudado hipertrofia enquanto os demais lobos atrofiam, podendo comprimir a veia cava inferior e causar síndrome de Budd-Chiari secundária
  • Síndrome de Budd-Chiari: obstrução das veias hepáticas principais poupa o lobo caudado (drenagem direta para VCI), resultando em hipertrofia compensatória característica à TC/RM
  • Relação com forame epiploico: o lobo caudado forma a parede anterior do forame de Winslow, importante na manobra de Pringle e no acesso cirúrgico ao hilo hepático
  • Tumores do lobo caudado: ressecção cirúrgica tecnicamente desafiadora devido à localização posterior e relações vasculares complexas; pode requerer hepatectomia central
  • Avaliação por imagem: identificação do lobo caudado em cortes axiais de TC/RM é essencial para estadiamento de cirrose (razão lobo caudado/lobo direito >0,65 sugere cirrose)
Cai na prova
  • Drenagem venosa direta para a veia cava inferior (não passa pelas veias hepáticas principais) — diferencial clássico com os demais segmentos
  • Hipertrofia na cirrose e na síndrome de Budd-Chiari — padrão de imagem patognomônico
  • Dupla irrigação arterial (ramos das artérias hepáticas direita E esquerda) — única entre os segmentos hepáticos
  • Localização entre veia cava inferior e ligamento venoso na face posterior do fígado
  • Relação anatômica com o forame epiploico (parede anterior) — importante em questões de anatomia cirúrgica
  • Correspondência ao segmento I na classificação de Couinaud
Teste seu entendimento
  • Qual é a particularidade da drenagem venosa do lobo caudado e por que isso é clinicamente relevante?

  • Descreva a irrigação arterial do lobo caudado e como ela difere dos demais segmentos hepáticos.

  • Quais são os limites anatômicos do lobo caudado na face posterior do fígado?

  • Por que o lobo caudado hipertrofia na cirrose hepática?

  • Qual é a relação do lobo caudado com o forame epiploico e qual a importância cirúrgica desta relação?

Não confunda

  • FMA71710

    O ramo do lobo esquerdo irriga apenas o lobo esquerdo, enquanto o lobo caudado recebe irrigação BILATERAL (de ambas as artérias hepáticas direita e esquerda).

    Abrir ficha
  • FMA14339

    A veia hepática esquerda drena o lobo esquerdo para a VCI, mas o lobo caudado tem drenagem venosa própria e independente (pequenas veias diretas para VCI, não passam pelas veias hepáticas principais).

    Abrir ficha
  • FMA14340

    A veia hepática média drena os segmentos centrais (V e VIII anteriormente), enquanto o lobo caudado drena por veias próprias diretamente para a VCI posteriormente — esta diferença explica a preservação do caudado na Budd-Chiari.

    Abrir ficha
Ontologia

BodyParts3D, CC BY 4.0