Atlas anatômico
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Quinta vértebra lombar (L5)
Fifth lumbar vertebra · FMA13076
Também chamada de: L5 · Vértebra L5 · Última vértebra lombar
Em 30 segundos
Alta relevânciaÚltima vértebra lombar móvel, articula-se superiormente com L4 e inferiormente com o sacro (S1). Forma a junção lombossacral (L5-S1), segundo sítio mais comum de hérnia de disco lombar (~95% das hérnias ocorrem em L4-L5 ou L5-S1). Ponto de transição entre a lordose lombar móvel e a cifose sacral fixa, concentrando estresse biomecânico.
Função
Suporte de carga axial e transmissão de forças do tronco para a pelve. Permite movimentos de flexão, extensão, inclinação lateral e rotação limitada. Forma o ângulo lombossacral (promontório sacral), determinante da lordose lombar e da postura.
Onde fica e relações
Região lombar inferior, imediatamente superior à base do sacro. Corpo vertebral ao nível da crista ilíaca (L4) ou ligeiramente abaixo. Processos transversos amplos e robustos. Disco intervertebral L5-S1 é o mais inferior da coluna móvel.
Irrigação, drenagem e inervação
- Irrigação
- Ramos das artérias lombares (da aorta abdominal) e artéria sacral mediana. Artérias segmentares penetram o corpo vertebral.
- Drenagem
- Plexo venoso vertebral interno (plexo de Batson) e veias lombares que drenam para a veia cava inferior.
- Inervação
- Ramos meníngeos recorrentes (nervos sinuvertebrais) dos nervos espinais lombares.
No exame físico
- Palpação
- Processo espinhoso de L5 palpável na linha média, ao nível ou ligeiramente abaixo da crista ilíaca (L4 geralmente ao nível da crista). Espaço interespinhoso L5-S1 palpável inferiormente.
- Referência no exame
- Crista ilíaca como referência para L4 (linha de Tuffier, usada para punção lombar em L3-L4 ou L4-L5). L5 logo abaixo. Sinal do degrau: proeminência do processo espinhoso de L5 na espondilolistese (palpável na transição lombossacral).
Na clínica
- Hérnia de disco L5-S1: segunda localização mais comum (~45% das hérnias lombares). Comprime raiz S1 (posterolateral) ou L5 (foraminal/extraforaminal). S1: dor em face posterior de coxa e panturrilha, reflexo aquileu abolido, fraqueza de flexão plantar. L5: dor em face lateral de coxa e dorso do pé, fraqueza de dorsiflexão do hálux e pé (pé caído).
- Espondilolistese: deslizamento anterior de L5 sobre S1 (mais comum), por defeito na pars interarticularis (espondilólise) ou degeneração discal. Clínica: dor lombar baixa, sinal do degrau palpável, claudicação neurogênica. Classificação de Meyerding (grau I a V conforme % de deslizamento).
- Síndrome da cauda equina: compressão maciça (hérnia central volumosa, fratura, tumor) abaixo do cone medular (L1-L2). Anestesia em sela, retenção urinária, incontinência fecal, paraparesia flácida bilateral. Emergência cirúrgica.
- Fratura de L5: trauma de alta energia (queda de altura, acidente automobilístico). Fratura-explosão (burst fracture) pode comprometer canal vertebral e raízes de cauda equina. Avaliar integridade neurológica e estabilidade (classificação de Denis: três colunas).
- Estenose de canal lombar: degeneração discal, hipertrofia de ligamento amarelo e facetas articulares. L4-L5 e L5-S1 mais acometidos. Claudicação neurogênica (melhora com flexão do tronco, piora com extensão), diferente de claudicação vascular.
Cai na prova
- Nível L5-S1 é o segundo mais comum de hérnia de disco lombar (junto com L4-L5, somam ~95% dos casos).
- Hérnia posterolateral em L5-S1 comprime raiz S1 (não L5, que já saiu pelo forame L5-S1). Clínica de S1: reflexo aquileu abolido, fraqueza de flexão plantar, hipoestesia em face posterior de perna e lateral do pé.
- Espondilolistese de L5 sobre S1 é a mais comum (istmo lítico em jovens, degenerativa em idosos). Sinal do degrau palpável na transição lombossacral.
- Ângulo lombossacral (promontório sacral) formado entre L5 e S1 determina a lordose lombar. Aumento do ângulo (hiperlordose) predispõe a espondilolistese.
- Síndrome da cauda equina: anestesia em sela, retenção urinária, paraparesia flácida bilateral. Emergência cirúrgica. Diferente de síndrome do cone medular (lesão em L1-L2, bexiga espástica).
- Corpo vertebral de L5 é o maior e mais robusto das vértebras lombares (suporta maior carga). Processos transversos amplos (inserção de músculos e ligamentos).
- Raiz L5 emerge pelo forame intervertebral L5-S1 (entre L5 e sacro). Hérnia foraminal/extraforaminal em L5-S1 comprime L5 (pé caído, fraqueza de dorsiflexão do hálux).
Teste seu entendimento
Qual raiz nervosa é comprimida por uma hérnia de disco posterolateral em L5-S1 e quais os achados clínicos esperados?
Qual a diferença clínica entre hérnia posterolateral e hérnia foraminal em L5-S1?
O que é espondilolistese de L5 e qual o sinal clínico característico ao exame físico?
Quais os sinais de alarme (red flags) que diferenciam síndrome da cauda equina de hérnia de disco simples?
Por que L5-S1 é um dos níveis mais acometidos por hérnia de disco lombar?
Não confunda
FMA13075
L4 situa-se imediatamente acima de L5, articulando-se com ela pelo disco L4-L5; L4-L5 é o nível MAIS comum de hérnia de disco lombar (~50%), enquanto L5-S1 é o segundo (~45%). Corpo vertebral de L4 ao nível da crista ilíaca (ponto de referência para punção lombar).
Sacro
Sacro é formado pela fusão de 5 vértebras sacrais (S1-S5), osso fixo e imóvel (não tem disco intervertebral entre suas vértebras fundidas). L5 é a última vértebra móvel, articula-se com S1 pelo disco L5-S1.
FMA16037
Disco intervertebral L5-S1 é a estrutura fibrocartilaginosa entre L5 e S1 (não é parte do corpo vertebral de L5). Hérnia deste disco comprime raízes que descem pelo canal (S1 se posterolateral, L5 se foraminal).
BodyParts3D, CC BY 4.0
Approximately 95% of disc herniations in the lumbar area occur at L4-L5 or L5-S1.
Al Qaraghli MI, De Jesus O. Lumbar Disc Herniation. [Updated 2023 Aug 23]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-.