Formação
Simulação clínica sequencialResidente
Théo, 7 anos: a dor que ninguém perguntou se doía
Preparo
- Disfagia orofaríngea: avaliação inicial e risco de aspiração
- Paciente
- Homem, 7 anos
- Comorbidades
- paralisia cerebral tetraparética espástica, GMFCS nível V (depende de cadeira de rodas e de suporte para cabeça e tronco), epilepsia focal em uso de ácido valproico, com bom controle de crises há mais de 1 ano, disfagia orofaríngea leve já reconhecida previamente, alimentação por via oral com supervisão e consistência pastosa para sólidos
- Em uso de
- ácido valproico para controle de crises epilépticas, paracetamol esporádico para dor, por orientação médica prévia, sem uso de escala de dor associada
- Fatores de risco
- irritabilidade e choro há 3 semanas, mais frequentes durante a fisioterapia e ao ser posicionado na cadeira de rodas, não verbal; comunica-se por expressões faciais, choro e mudanças de tônus muscular, sem melhora com o paracetamol esporádico oferecido pela mãe, sem febre e sem sinais respiratórios agudos no momento desta consulta
- Cenário
- Ambulatório de seguimento multiprofissional de pediatria (neurologia/desenvolvimento), com possibilidade de internação em enfermaria pediátrica e acesso a interconsultas de ortopedia, fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição · seguimento longitudinal de criança com paralisia cerebral e necessidades especiais de saúdeRecursos disponíveis: escalas comportamentais validadas de dor para crianças não verbais (r-FLACC, Non-Communicating Children's Pain Checklist), avaliação fisioterapêutica e fonoaudiológica disponíveis por interconsulta, radiografia de quadril e de coluna disponíveis, avaliação ortopédica pediátrica por encaminhamento, estudo de deglutição (avaliação clínica e videofluoroscopia) disponível mediante solicitação, leito de enfermaria pediátrica disponível para intercorrências agudas (ex.: pneumonia), reuniões de equipe multiprofissional (fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, terapia ocupacional, assistência social) para construção do plano de cuidado
- Complexidade
- Gravidade 3/5Urgência 2/5Diagnóstico 3/5Ambiguidade 4/5
- O que este caso treina
- • Reconhecer que irritabilidade e choro persistentes numa criança não verbal com paralisia cerebral podem ser dor, e avaliar sistematicamente com uma escala comportamental validada em vez de sedar empiricamente ou atribuir a comportamento esperado da doença de base.
- • Investigar sistematicamente uma causa orgânica tratável (dentição, abdome, quadril) diante de dor confirmada, e reconhecer que dor com limitação de abdução do quadril ao exame é critério de avaliação imediata, independentemente do calendário de vigilância programada.
- • Tratar a espasticidade dolorosa com intervenção farmacológica direcionada (ex.: toxina botulínica, baclofeno oral) em vez de escalar sedação sem tratar a causa.
- • Reconhecer pneumonias de repetição como possível sinal de aspiração — inclusive silenciosa — e decidir a estratégia alimentar (consistência modificada com fonoaudiologia) a partir do resultado objetivo da avaliação de deglutição.
- • Manter a vigilância ortopédica programada (quadril e coluna) conforme o nível GMFCS independentemente da ausência de sintomas atuais, e conduzir a comunicação sobre gastrostomia com a família informando riscos e benefícios com imparcialidade e acolhendo o significado afetivo da alimentação por via oral.
Treine explicando cada conduta
A cada decisão, você escreve uma justificativa obrigatória e, antes de seguir, vê se acertou, a conduta indicada, as fontes e um comentário da IA sobre o seu raciocínio. Se errar, o caso segue pela conduta indicada. No fim, vem o parecer final da IA sobre o caso inteiro. Este modo não conta para o seu perfil de competência.
9 decisões comentadas~18–36 min (estimativa, já contando o tempo de escrever)
A nota aparece no fim, mas não entra no seu perfil de competência. E, como você verá o gabarito, uma tentativa no modo completo deste mesmo caso feita depois também não vai contar.
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