Formação

Decisão clínicaResidente

A sonda, o cateter e a dúvida: quando a piora não é só a idade

Preparo

  • Sinais clinicos de maus-tratos contra o idoso: reconhecimento no exame fisico e na historia
  • Modelo de Inouye: fatores predisponentes e precipitantes do delirium
  • Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003) artigo 19: obrigacao legal de notificacao compulsoria
  • Diretivas antecipadas de vontade, capacidade decisória e decisão substituta
Paciente
Mulher, 82 anos
Comorbidades
hipertensão arterial sistêmica em tratamento prévio à internação, pneumonia adquirida na comunidade, D12 de internação, em melhora do quadro respiratório, delirium hipoativo de início agudo, iniciado no 10º dia de internação, com flutuação da atenção, retenção urinária aguda na admissão (resolvida no 3º dia), motivo pelo qual foi inserida sonda vesical de demora, mantida desde então sem reavaliação registrada
Em uso de
losartana 50 mg/dia, amlodipino 5 mg/dia, antibioticoterapia para pneumonia comunitária desde a admissão
Fatores de risco
sonda vesical de demora além do tempo em que havia indicação clara — fator de risco conhecido para infecção do trato urinário associada a cateter, delirium hipoativo em curso, com múltiplas causas potencialmente reversíveis ainda não investigadas, mora há 3 anos com o filho caçula, que é o cuidador principal e o único familiar que visita a internação
Contexto: Viúva, mora com o filho caçula desde que ficou viúva. O filho visita diariamente, responde às perguntas da equipe antes que ela possa falar, e demonstra desconforto quando a equipe tenta conversar com ela sozinha.
Cenário
enfermaria de clínica médica · acompanhamento de internação prolongadaRecursos disponíveis: serviço social do hospital, com equipe disponível para avaliação e acionamento de rede, avaliação cognitiva formal (miniexame do estado mental) disponível à beira-leito, conselho municipal da pessoa idosa e delegacia especializada de referência na região, equipe de enfermagem que acompanha a paciente nos três turnos, prontuário eletrônico com registro de todas as avaliações desde a admissão
Complexidade
Gravidade 3/5Urgência 2/5Diagnóstico 3/5Ambiguidade 4/5
O que este caso treina
  • • Reconhecer a cascata iatrogênica (dispositivo invasivo mantido sem indicação, causando infecção e contribuindo para delirium) como diagnóstico diferencial da piora do idoso internado, em vez de atribuí-la somente à idade
  • • Distinguir achados que antecedem a internação (sugestivos de negligência ou maus-tratos domiciliares) de complicações causadas pelo próprio cuidado hospitalar, reconhecendo que as duas podem coexistir no mesmo paciente
  • • Cumprir o dever de notificação compulsória diante de suspeita razoável de maus-tratos ao idoso, independentemente de confirmação, prova ou consentimento da paciente ou da família
  • • Conciliar a proteção já acionada por via legal com a autonomia de uma paciente idosa com capacidade decisória preservada, sem transformar a suspeita de maus-tratos, por si só, em justificativa para retenção ou institucionalização compulsória
Caso comentado

Treine explicando cada conduta

A cada decisão, você escreve uma justificativa obrigatória e, antes de seguir, vê se acertou, a conduta indicada, as fontes e um comentário da IA sobre o seu raciocínio. Se errar, o caso segue pela conduta indicada. No fim, vem o parecer final da IA sobre o caso inteiro. Este modo não conta para o seu perfil de competência.

3 decisões comentadas~6–12 min (estimativa, já contando o tempo de escrever)
A nota aparece no fim, mas não entra no seu perfil de competência. E, como você verá o gabarito, uma tentativa no modo completo deste mesmo caso feita depois também não vai contar.
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