Formação

Decisão clínicaResidente

Comida feita com carinho: dá pra trocar a fórmula pela panela?

Preparo

  • Prescrição, progressão e monitorização da nutrição enteral
Paciente
Homem, 74 anos
Comorbidades
acidente vascular cerebral isquêmico extenso de artéria cerebral média esquerda há 5 semanas, disfagia orofaríngea grave, confirmada por avaliação fonoaudiológica com videofluoroscopia, gastrostomia endoscópica percutânea (calibre 20-French) confeccionada há 3 semanas, estoma já cicatrizado, hipertensão arterial sistêmica em tratamento prévio ao AVC, atualmente controlada
Em uso de
losartana 50 mg 12/12h, atorvastatina 40 mg/dia, AAS 100 mg/dia, omeprazol 20 mg/dia
Fatores de risco
disfagia grave sem previsão de retorno seguro à via oral no curto prazo, dependência total de nutrição enteral por gastrostomia para todo o aporte nutricional, cuidadora principal (esposa) sem formação técnica em preparo/manipulação segura de alimentos para uso por sonda
Contexto: Casado; a esposa é a cuidadora principal em domicílio e prepara todas as refeições da casa. Pesquisou sobre 'dieta artesanal por sonda' em grupos de redes sociais e está convencida de que substituir a fórmula industrializada por comida caseira batida é mais natural, mais nutritiva e reduziria significativamente o custo mensal do tratamento.
Cenário
ambulatório de nutrologia, seguimento pós-alta hospitalar · consulta de acompanhamento de nutrição enteral domiciliar por gastrostomiaRecursos disponíveis: nutricionista da equipe de terapia nutricional disponível para cálculo de aporte e orientação de preparo, fonoaudiologia responsável pelo acompanhamento da disfagia, fórmula polimérica padrão com fibra, 1,2 kcal/mL, atualmente em uso por bomba de infusão/bolus, material educativo institucional sobre nutrição enteral domiciliar, ainda não entregue a esta família
Complexidade
Gravidade 2/5Urgência 1/5Diagnóstico 1/5Ambiguidade 4/5
O que este caso treina
  • • Reconhecer que substituir totalmente uma fórmula enteral industrializada por dieta artesanal batida em casa, administrada por sonda, carrega risco microbiológico e imprecisão de aporte calórico-proteico-hídrico, mesmo em paciente clinicamente estável
  • • Explicar a um cuidador familiar, em linguagem acessível, por que uma preparação 'caseira e feita com carinho' pode ser nutricionalmente arriscada quando administrada diretamente por sonda
  • • Definir critérios objetivos e clinicamente ancorados (calibre de sonda e maturidade do estoma, cálculo nutricional formal, higiene de preparo, monitorização) para uma eventual incorporação parcial e segura de alimento caseiro, em vez de uma recusa genérica e imotivada
  • • Sustentar uma decisão de segurança nutricional diante de pressão emocional do cuidador, sem que insistência ou tempo decorrido substituam critério técnico
Caso comentado

Treine explicando cada conduta

A cada decisão, você escreve uma justificativa obrigatória e, antes de seguir, vê se acertou, a conduta indicada, as fontes e um comentário da IA sobre o seu raciocínio. Se errar, o caso segue pela conduta indicada. No fim, vem o parecer final da IA sobre o caso inteiro. Este modo não conta para o seu perfil de competência.

3 decisões comentadas~6–12 min (estimativa, já contando o tempo de escrever)
A nota aparece no fim, mas não entra no seu perfil de competência. E, como você verá o gabarito, uma tentativa no modo completo deste mesmo caso feita depois também não vai contar.
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