- Paciente
- Homem, 67 anos
- Comorbidades
- diabetes mellitus tipo 2 em uso de metformina, hipertensão arterial sistêmica em uso de losartana, obesidade grau I (IMC 31), ex-tabagista, parou há 5 anos (carga tabágica prévia de 30 anos-maço)
- Em uso de
- metformina 850mg 2x/dia, losartana 50mg 1x/dia
- Fatores de risco
- diverticulite complicada recorrente (episódio prévio Hinchey Ib tratado clinicamente), obesidade e diabetes — fatores de risco reconhecidos para deiscência de aponeurose e infecção de sítio cirúrgico, cirurgia abdominal maior recente — fator de risco para tromboembolismo venoso
Contexto: aposentado, casado; a esposa e a filha revezam o acompanhamento durante a internação - Cenário
- Enfermaria de cirurgia geral de hospital terciário, com laboratório 24h, tomografia de abdome com contraste 24h, radiologia intervencionista disponível 24h, CTI cirúrgico e centro cirúrgico de urgência · acompanhamento pós-operatório de colectomia sigmoide aberta eletiva com anastomose primária, por diverticulite complicada recorrenteRecursos disponíveis: laboratório com hemograma, lactato e PCR 24h, tomografia computadorizada de abdome com contraste 24h, radiologia intervencionista (drenagem percutânea guiada por imagem) 24h, unidade de terapia intensiva cirúrgica, centro cirúrgico de urgência 24h, equipe de cirurgia geral disponível
- Complexidade
- Gravidade 4/5Urgência 4/5Diagnóstico 4/5Ambiguidade 3/5
- O que este caso treina
- • Interpretar a febre pós-operatória pelo dia de evolução, reconhecendo a febre baixa e precoce (primeiras 48-72h) como fisiológica na maioria dos casos, sem reflexivamente coletar culturas, iniciar antibiótico ou solicitar imagem.
- • Reconhecer a taquicardia persistente e a febre que ultrapassam a janela fisiológica esperada (além do 4º-5º dia) como sinal precoce de complicação infecciosa, incluindo fístula anastomótica, e investigar sem reassegurar.
- • Diferenciar íleo pós-operatório simples de obstrução mecânica precoce pelo padrão de dor, pelos ruídos hidroaéreos e pela evolução temporal, evitando tanto a inércia diante de piora aguda quanto a cirurgia precipitada sem imagem.
- • Selecionar drenagem percutânea guiada por imagem para coleções bem definidas sem peritonite generalizada, e reavaliar objetivamente a resposta clínica para escalonar o controle cirúrgico do foco quando a drenagem não for suficiente.
- • Reconhecer os sinais de deiscência de aponeurose (drenagem serossanguinolenta 'cor de salmão', novo abaulamento) sem manipular a ferida à beira do leito, e conduzir a evisceração franca como emergência cirúrgica imediata — cobertura com gaze embebida em soro fisiológico morno e exploração de urgência, sem atrasar por exame de imagem.