Formação

Simulação clínica sequencialResidente

Cardiomiopatia da doença de Chagas: da procedência epidemiológica ao transplante

Preparo

  • Prevenção de morte súbita e indicação de desfibrilador implantável
  • Insuficiência cardíaca avançada, transplante cardíaco e assistência circulatória
  • Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida: terapia modificadora de doença
  • Comunicação de diagnóstico grave e consentimento informado em cardiologia
Paciente
Homem, 54 anos
Comorbidades
hipertensão arterial sistêmica leve, em uso irregular de losartana, sem diagnóstico cardiológico prévio; procura o ambulatório por dispneia progressiva e dois episódios recentes de síncope
Em uso de
losartana 50mg/dia, uso irregular
Fatores de risco
nascido e criado até os 15 anos em casa de pau-a-pique com telhado de sapê na zona rural do interior da Bahia, mãe com diagnóstico de doença de Chagas e óbito súbito aos 58 anos, tabagismo pregresso, 10 anos-maço, cessado há 15 anos
Contexto: pedreiro aposentado por invalidez, mora em São Paulo há mais de 30 anos com a esposa; visita a cidade natal na Bahia esporadicamente; acesso a exames de média complexidade pela rede SUS regional, com tempo de espera relevante para exames especializados
Cenário
Ambulatório de cardiologia de referência secundária vinculado ao SUS, com acesso a eletrocardiograma, radiografia de tórax, ecocardiograma transtorácico, Holter de 24 horas, sorologia para doença de Chagas, e encaminhamento para eletrofisiologia, implante de dispositivos e centro de transplante cardíaco em hospital terciário de referência · acompanhamento ambulatorial longitudinal ao longo de vários anos, desde a suspeita diagnóstica inicial até a progressão da cardiomiopatia — investigação epidemiológica e sorológica, confirmação ecocardiográfica e estratificação de risco, decisão sobre anticoagulação, terapia farmacológica da insuficiência cardíaca, indicação de cardioversor-desfibrilador implantável em prevenção primária e secundária, comunicação de diagnóstico e prognóstico, e reconhecimento de critérios de doença avançadaRecursos disponíveis: eletrocardiograma de 12 derivações, radiografia de tórax, ecocardiograma transtorácico com Doppler, Holter de 24 horas, sorologia para doença de Chagas (dois testes de princípios diferentes), medicações para insuficiência cardíaca (IECA/BRA, betabloqueadores, espironolactona, diuréticos de alça), amiodarona, encaminhamento para eletrofisiologia (estudo eletrofisiológico, implante de CDI, ablação por cateter), encaminhamento para centro especializado em insuficiência cardíaca avançada e transplante cardíaco
Complexidade
Gravidade 4/5Urgência 3/5Diagnóstico 4/5Ambiguidade 4/5
O que este caso treina
  • • Incorporar a procedência epidemiológica — área endêmica, contato com o vetor, antecedentes familiares — na anamnese cardiológica, e reconhecer o bloqueio de ramo direito associado a bloqueio divisional anterossuperior esquerdo como padrão eletrocardiográfico característico da cardiomiopatia chagásica.
  • • Confirmar o diagnóstico sorológico pela regra dos dois testes de princípios diferentes da OMS, sem firmar diagnóstico com um único teste reagente, e aplicar o escore de RASSI para estratificar corretamente o risco de mortalidade.
  • • Decidir sobre anticoagulação diante de aneurisma apical emboligênico sem trombo mural, fibrilação atrial ou evento embólico prévio documentados, evitando tanto a anticoagulação empírica quanto o abandono da vigilância estrutural.
  • • Iniciar terapia farmacológica otimizada para insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida na cardiomiopatia chagásica, verificando função renal e potássio antes da espironolactona.
  • • Diferenciar as indicações de cardioversor-desfibrilador implantável em prevenção primária — muito mais restritas do que em outras cardiomiopatias — das indicações claras em prevenção secundária, e reconhecer os critérios de doença avançada que justificam encaminhamento para transplante.
Caso comentado

Treine explicando cada conduta

A cada decisão, você escreve uma justificativa obrigatória e, antes de seguir, vê se acertou, a conduta indicada, as fontes e um comentário da IA sobre o seu raciocínio. Se errar, o caso segue pela conduta indicada. No fim, vem o parecer final da IA sobre o caso inteiro. Este modo não conta para o seu perfil de competência.

11 decisões comentadas~22–44 min (estimativa, já contando o tempo de escrever)
A nota aparece no fim, mas não entra no seu perfil de competência. E, como você verá o gabarito, uma tentativa no modo completo deste mesmo caso feita depois também não vai contar.
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